(Introdução – Ponteado de viola de pinho)
(Verso 1)
O relógio da parede marca o tempo do futuro,
Eu aqui na minha casa vendo o horizonte escuro.
Meu carro voa no vento, já não toca mais o chão,
Mas meu peito continua preso na recordação.
Tenho tela holográfica pra ver o mundo girar,
Mas ninguém fez a ciência meu vazio consertar.
(Verso 2)
Tenho androide na cozinha, luz de laser pelo ar,
Água feita em laboratório pra ninguém mais precisar.
O progresso trouxe tudo, trouxe máquina e valor,
Mas não criaram um robô que substitua o amor.
Mando cartas por holograma, sinais de outro lugar,
Mas a saudade do meu peito ninguém pode apagar.
(Refrão)
A tecnologia avança, muda a vida e o lugar,
Mas a dor de um sertanejo não tem chip pra curar.
Pode passar cem mil anos, pode o mundo transformar,
Que o caipira apaixonado sempre aprende a esperar.
(Verso 3)
Minha viola é de pinho, companheira do sertão,
Não precisa de energia pra tocar no coração.
Quando encosto os dedos nela e o ponteio vai nascer,
Até os robôs da sala param tudo pra escutar você.
Porque o som da madeira tem mais alma e mais calor,
Do que toda essa cidade feita de aço sem amor.
(Ponte)
O futuro trouxe estrelas pra morar na imensidão,
Mas ainda nasce a lua clareando o meu sertão.
Quem conhece a voz da viola nunca esquece esse cantar,
Porque a moda verdadeira nem o tempo vai mudar.
(Refrão Final)
A tecnologia avança, muda a vida e o lugar,
Mas a dor de um sertanejo não tem chip pra curar.
Pode passar cem mil anos, pode o mundo transformar,
Que o caipira apaixonado sempre aprende a esperar.
(Outro)
No ano dois mil cento e vinte e seis...
A viola ainda chora por quem não voltou de vez.
Como cantava um velho mestre, essa dor ninguém desfaz...
Sertanejo é pra sempre...
Caipira nunca morre, vive em cada som que a viola faz.