53 DIAS: CADÊ MINHA FONTE?
[INTRODUÇÃO — FALADA]
Cinquenta e três dias.
Cinquenta e três dias sem te ver passar.
E foi aí que eu comecei a perceber uma coisa estranha...
Cadê os versos?
Cadê as músicas?
Cadê aquela vontade de escrever?
Cadê os pensamentos que chegavam sem avisar?
Talvez eu tenha descoberto uma coisa que nunca tinha percebido:
você não é a minha história.
Você é a minha fonte.
[VERSO 1]
É estranho sentir saudade
de alguém que eu mal conheço,
de alguém que é só conhecido,
mas que deixou em mim um universo inteiro.
Não é amor,
não é paixão,
não é vontade de ter você.
É o que você representa
sem nunca ter tentado ser.
Você aparece
e alguma coisa desperta:
um verso, uma canção,
uma vontade de escrever.
Às vezes nasce um livro,
às vezes nasce uma música,
às vezes nasce simplesmente
uma vontade bonita de viver.
[PRÉ-REFRÃO]
E eu nunca te perguntei nada.
Você nunca precisou responder.
Não houve promessa,
não houve intimidade,
não houve nada para acontecer.
Só existiu a sua presença...
E aquilo que ela despertou em mim.
[REFRÃO]
Cinquenta e três dias...
cadê a minha fonte?
Cadê os versos que vinham
quando você passava por mim?
Cadê as músicas,
cadê a vontade de cantar?
Será que a inspiração volta
quando você voltar a passar?
Cinquenta e três dias...
e eu ainda não sei explicar.
Talvez eu não sinta falta de você.
Talvez eu sinta falta
do que você faz nascer em mim
sem nem imaginar.
[VERSO 2]
Será que você sabe
a importância que pode ter
no universo de alguém?
Sem dar liberdade,
sem oferecer intimidade,
sem prometer que vai ficar.
Sem sequer dar uma resposta
para uma pergunta
que eu nunca tive coragem de perguntar.
Você simplesmente existe.
E, de algum jeito,
a sua existência me faz criar.
[PONTE — MAIS EMOCIONAL]
Se um dia essa música chegar até você,
não pense que eu estou pedindo alguma coisa.
Eu não quero nada.
Só queria que soubesse:
o universo foi generoso comigo.
Não porque eu tenha você.
Eu não tenho.
Mas porque, sem saber,
você me fez criar.
Você virou verso.
Virou música.
Virou história.
Virou inspiração.
E talvez essa seja
a coisa mais bonita que alguém
pode ser na vida de outra pessoa:
uma fonte que nunca soube
que estava fazendo nascer alguma coisa.
[REFRÃO FINAL]
Cinquenta e três dias...
cadê a minha fonte?
Cadê aquela luz
que fazia a poesia aparecer?
Cadê os pensamentos,
as canções, os livros?
Cadê a vontade de escrever?
Será que um dia
você vai passar por mim outra vez?
E o que será que vai nascer?
Uma música?
Um verso?
Outro livro?
Uma amizade?
Ou simplesmente nada?
[FINAL — FALADO]
Eu não sei.
Só sei que já são cinquenta e três dias.
E eu continuo perguntando ao universo:
quando a minha fonte passar por mim novamente...
o que será que ela vai despertar?
Talvez eu não esteja esperando o Sol.
Talvez eu esteja esperando
a próxima coisa que ele vai despertar em mim.