Deixei a aliança sobre a mesa,
não disse adeus, nem quis partir.
Apaguei a luz do nosso quarto,
fechei os olhos sem dormir.
Esperei ouvir os seus passos,
uma pergunta, qualquer sinal.
Mas o silêncio tomou a casa
como se tudo fosse normal.
E eu, que só queria um abraço,
fiz do orgulho uma despedida.
Deixei um círculo sobre a mesa,
mas não tirei você da vida.
**Tirei do dedo, não do peito,
deixei na mesa, não deixei de amar.
Queria apenas que entendesse
o que eu não conseguia falar.**
**E entre o orgulho e a saudade,
entre partir e permanecer,
deixei a aliança sobre a mesa
esperando um gesto de você.**
A madrugada passou tão lenta,
o sol entrou sem perguntar.
Encontrei a casa como sempre,
e a minha aliança no mesmo lugar.
Olhei a mesa, depois sua mão,
e alguma coisa em mim cedeu.
A sua ainda estava no dedo,
a minha esperando o meu.
Não sei se foi amor ou medo,
se foi costume ou solidão.
Só sei que a minha voltou ao dedo
sem que houvesse explicação.
**Tirei do dedo, não do peito,
deixei na mesa, não deixei de amar.
Queria apenas que entendesse
o que eu não conseguia falar.**
**E entre o orgulho e a saudade,
entre partir e permanecer,
descobri que o mais difícil
não era ir, nem esquecer.**
Não sei se você percebeu,
nem se havia algo a dizer.
Há tanto amor que fica mudo,
há tanto silêncio entre eu e você.
E se algum dia me perguntar
por que voltei atrás assim,
direi que olhei para sua mão
e ainda havia um nós ali.
Deixei a aliança sobre a mesa,
mas o amor não deixei partir.
Você não veio buscar a minha...
Mas também
não tirou a sua.