A Briga Que Nunca Aconteceu
E olha eu aqui,
quebrando o meu próprio orgulho,
pra admitir baixinho
o que eu escondo de mim.
Tem encontros que duram segundos,
mas ficam muito depois.
O último foi só um “bom dia”
e um silêncio entre nós dois.
Eu fiquei ali, observando,
sem saber o que procurar.
Talvez tentando entender
por que ainda gosto de te admirar.
Não teve palavra atravessada,
não teve motivo, nem discussão.
Mas ficou dentro de mim
uma briga sem explicação.
E eu não sei por quê,
mas aquilo ficou.
Não foi despedida,
nem pedido de amor.
Foi só um instante
que não terminou.
Uma briga tão estranha
que nunca começou.
Eu não vim pedir desculpas,
nem tentar voltar atrás.
Só percebi naquele instante
que esquecer não é tão fácil assim.
Eu já tinha decidido caminhos,
já tinha aprendido a seguir.
Mas uma lembrança tão pequena
fez alguma coisa em mim ressurgir.
Talvez sejam essas pessoas
que chegam sem perceber,
não ficam na nossa história
mas deixam algo pra escrever.
E às vezes eu me pergunto,
sem coragem de perguntar:
será que você tem raiva de mim
por eu não saber explicar
por que ainda te admiro tanto,
mesmo sem nada esperar?
E eu não sei por quê,
mas aquilo ficou.
Não foi despedida,
nem pedido de amor.
Foi só um instante
que não terminou.
Uma briga tão estranha
que nunca começou.
Talvez a resposta não esteja em você.
Talvez eu nunca precise saber.
Talvez algumas coisas que sentimos
não tenham mesmo como se explicar.
Só sei que naquele “bom dia”,
seguido daquele silêncio,
eu descobri, sem querer,
que ainda existe alguma coisa
que eu não terminei de compreender.
E talvez tudo bem.
Porque nem todo sentimento
precisa encontrar um lugar.
Alguns apenas passam pela gente
e ensinam a gente a olhar.
E se você tiver raiva de mim,
eu talvez nunca vá saber.
Mas se um dia lembrar daquele instante,
lembre que não houve guerra.
Só houve silêncio.
E uma admiração
que eu ainda não aprendi
a explicar.