[Introdução — falada]
“Ué, cadê a festa do rapaz?”
“Deu problema no salão?”
“Não… na apuração!”
[Verso 1]
Há três semanas, o moço
Já posava de campeão.
Verde e amarelo no peito,
Soltando rojão no portão.
Reservou mesa e cerveja,
Fez discurso na janela…
Só não contava com o coro:
Mais uma vez, brilha uma estrela!
[Refrão]
Ô, filhinho de papai,
Nem tudo acaba em vitória!
Quem faz festa antes da hora
Vira piada na história.
A camisa foi pra gaveta,
A faixa virou flanela…
Pode fechar a janela:
Mais uma vez, brilha uma estrela!
[Verso 2]
Lá na mesa da padaria,
Não deixava ninguém falar:
“Essa aí já tá no bolso,
Pode começar a assar!”
Hoje passa pela porta,
Disfarçando a direção.
Seu Osvaldo grita: “Ô, chefe,
Vai café ou consolação?”
[Breque — falado]
“E agora, papai? Não ganhei!
Vou perder a boquinha, procurar emprego…
E o pior: vou ter que trabalhar!”
[Verso 3]
Foi levar seu currículo
Num escritório da Sé.
Pôs “filho” como experiência,
“Papai” lá no rodapé.
A moça pediu um teste,
Ele quis telefonar:
“Se meu pai não tá na sala,
Quem é que vai me aprovar?”
[Resposta — coro]
Puxa a cadeira, rapaz,
Que ninguém nasceu sabendo!
Enquanto espera por papai,
O serviço tá crescendo!
[Verso 4]
Perguntou quando eram férias
Antes mesmo de sentar.
Quando ouviu “segunda a sexta”,
Precisou tomar um ar.
“Tem que vir a semana inteira?
Não dá pra negociar?
Se eu trouxer um atestado,
Já posso começar a faltar?”
[Breque — falado]
“Papai, o emprego é ótimo!”
“Então qual é o problema?”
“O salário vem uma vez…
Mas o serviço vem todo dia!”
[Ponte]
Foi ligar pros Estados Unidos,
Pedir uma intervenção:
“Chama o tal do homem rosa,
Que eu preciso de uma mão!”
O garçom chegou com a conta,
Bem no meio da conversa:
“Se ele vier, avisa logo:
Cada um paga sua despesa!”
[Refrão final]
Ô, filhinho de papai,
Nem tudo acaba em vitória!
O churrasco virou marmita,
Seu discurso virou história.
A garoa molha a rua,
O povo canta na viela:
A faixa virou flanela…
E mais uma vez, brilha uma estrela!
[Último breque — falado]
“Papai, achei uma vaga!”
“Agora vai, meu filho!”
“Mas é vaga de emprego…
Não tem nenhuma de herdeiro?”