Toda a minha vida
procurei você.
Entre tantos que tive,
entre tantos que amei,
em cada rosto,
em cada abraço,
em cada promessa
que acreditei.
E na confusão
de tanto procurar,
perdi o amor
que finalmente encontrei.
Não por falta de querer,
nem por ausência de sentimento.
É que você não falava
a língua que aprendi
com o passar do tempo.
Eu sabia traduzir silêncios,
decifrar ausências,
reconhecer distâncias,
esperar por quem não vinha,
insistir em quem partia.
Aprendi a pedir carinho
sem parecer precisar,
a esconder saudades,
a disfarçar feridas,
a chamar de amor
o que me fazia esperar.
E quando você chegou,
trazendo nas mãos
aquilo que tanto procurei,
não soube reconhecer.
Você falava de presença,
eu entendia cobrança.
Você oferecia cuidado,
eu procurava uma razão.
Você queria ficar,
eu já esperava a despedida.
Você me entregava amor,
eu procurava outra saída.
E assim fomos nos perdendo,
sem sequer querer partir.
Você tentando me alcançar,
eu sem saber como ouvir.
Passei a vida
aprendendo a língua
de quem nunca ficou.
E quando encontrei você,
já não sabia receber amor.
Não foi você
quem deixou de falar.
Fui eu que, de tanto aprender
a não ser amado,
esqueci como era amar.
E hoje, quando o silêncio
me pergunta por você,
compreendo o que perdi
sem conseguir entender.
Passei a vida
procurando o amor,
mas quando ele chegou,
não soube reconhecer.
De tanto aprender
a não ser amado,
esqueci de falar
a língua de quem me amou.