Passei tantos anos
Tentando compreender
O *je t’aime* dos franceses,
Sem saber o que fazer.
Aprendi cada palavra,
Cada gesto, cada olhar.
Fiz daquela língua a minha casa,
Meu estranho jeito de amar.
Decorei tantas promessas,
Tantos versos de paixão.
Mas esqueci que o amor
Não precisa de tradução.
E quando você chegou,
Falando a língua que eu falava,
Eu, que tanto procurei,
Fiz desdém de quem me amava.
*Je t’aime, je t’aime,*
Que ironia, meu amor!
Aprendi a dizer tudo,
Mas não soube dar valor.
*Je t’aime, je t’aime,*
Hoje entendo o que perdi.
Passei a vida aprendendo
O que nunca consegui.
Você entendia meus silêncios,
Minha pressa, minha dor.
Não precisava de palavras
Para me falar de amor.
Mas eu queria outros versos,
Outro mundo, outro lugar.
E desprezei a voz mais doce
Que encontrei para me amar.
Agora falo tantas línguas,
Mas nenhuma traz você.
Sei dizer que sinto falta,
Não sei como lhe dizer.
*Je t’aime, je t’aime,*
Que ironia, meu amor!
Aprendi a dizer tudo,
Mas não soube dar valor.
*Je t’aime, je t’aime,*
Hoje entendo o que perdi.
Passei a vida aprendendo
O que nunca consegui.
E se um dia me perguntarem
Que língua eu nunca aprendi,
Direi que foi aquela
Que você falava para mim.
Hoje sei dizer *je t’aime*
Com tristeza e precisão.
Passei a vida traduzindo o amor...
E esqueci de amar
Sem tradução.