A LUA VIU O SOL E FICOU EM PAZ
[INTRODUÇÃO — FALADA]
Tem coisas que acontecem
sem a gente procurar.
Esse mês, por três vezes,
a Lua esteve no céu do Sol.
Três vezes ela viu.
E o Sol nem soube.
Não houve encontro.
Não houve esbarrão.
Não houve palavra.
Só a vida seguindo seu caminho.
[VERSO 1]
Eu estava no meu caminho,
fazendo o que sempre faço,
sem procurar por ninguém,
sem esperar nenhum acaso.
E, de longe, pela janela,
lá estava aquele clarão.
O Sol, com seus raios lilás,
e eu apenas olhando daquela direção.
Não mudei meu caminho,
não tentei me aproximar.
Só guardei aquele instante
e deixei a vida continuar.
[PRÉ-REFRÃO]
E foi curioso perceber
que não era mais saudade.
Era só uma curiosidade tranquila,
de saber o que eu já sabia:
o Sol continua brilhando
no seu próprio céu.
E isso bastou.
[REFRÃO]
Três vezes no mesmo céu,
três vezes eu te vi.
Você nem soube que eu estava,
e tudo bem assim.
Não foi encontro,
não foi sinal,
não foi promessa de nada.
Foi só o Sol brilhando longe
e a Lua seguindo sua estrada.
Três vezes no mesmo céu,
sem precisar acontecer.
Talvez algumas luzes da vida
só precisem existir para a gente ver.
[VERSO 2]
Dessa vez não nasceu verso,
não nasceu música, nem canção.
Não nasceu nenhuma história,
nem veio uma nova inspiração.
Talvez porque não houve aquele olhar
que faz alguma coisa despertar.
Foi só de longe.
E, mesmo assim,
foi bom ver você brilhar.
Não senti aquele choque,
não precisei me perguntar.
Só agradeci ao universo
por ter deixado a Lua
ver os raios lilás.
[PRÉ-REFRÃO 2]
E talvez eu tenha entendido:
eu não preciso esperar o encontro
para continuar a criar.
Posso seguir meu caminho,
deixar a vida acontecer
e deixar o Sol continuar
brilhando onde estiver.
[REFRÃO]
Três vezes no mesmo céu,
três vezes eu te vi.
Você nem soube que eu estava,
e eu segui por ali.
Não era espera,
não era procura,
não era vontade de encontrar.
Era só a vida colocando o Sol
no meu caminho sem eu procurar.
Três vezes no mesmo céu...
E talvez seja isso.
Algumas pessoas passam longe
e ainda assim deixam luz.
[FINAL — FALADO]
Quando a Lua e o Sol
se esbarrarem outra vez
no mesmo céu...
eu não espero que nasça nada dessa vez.
Eu não preciso saber.
Só quero seguir meu caminho
e deixar o céu fazer
o que sempre fez.
Brilhar.
Porque ontem...
a Lua viu o Sol
e ficou em paz.