[Verso 1]
Naquela noite chovia,
nosso papo estava bom.
A cerveja acompanhava
a batucada e o tom.
Quando acabou a bebida,
eu falei: “Deixa comigo!”
Subi na moto da porta,
certo de que era do amigo.
[Verso 2]
Quando eu cheguei à venda,
a polícia estava lá.
Pensei: “O que faço agora?”
Fui chegando devagar.
Vi o pão saindo quente,
fiz depressa o meu pedido:
“Seis pãezinhos, doze cervejas!”
E saí bem de mansinho.
[Refrão]
Seis pãezinhos, doze cervejas,
tinha samba pra render!
Uma noite tão chuvosa,
tanta coisa pra acontecer!
Seis pãezinhos, doze cervejas,
guarde bem esse refrão:
eu só fui buscar bebida,
mas voltei com confusão!
[Verso 3]
Pus a compra sobre a mesa,
veio logo a gozação:
“Foi buscar nossa cerveja
ou garantir o café com pão?”
Repartimos os pãezinhos,
ninguém quis se despedir.
Entre um caso e uma cantiga,
vimos outro dia surgir.
[Verso 4]
Quando o dia amanheceu,
eu falei pro Promoção:
“Tua moto está lá fora,
bem na frente do portão.”
Ele olhou, tornou a olhar,
depois veio me dizer:
“Essa moto não é minha!”
Eu nem soube responder.
[Breque — falado]
“Como não é tua, Promoção?”
“E quem disse que era?”
“Eu achei…”
“Pois achou foi confusão!”
[Refrão]
Seis pãezinhos, doze cervejas,
tinha samba pra render!
Todo mundo dando risada,
eu sem jeito, sem saber.
Seis pãezinhos, doze cervejas,
já raiava o sol no chão.
Só então nós descobrimos:
não era a moto do Promoção!
[Ponte]
Um queria achar o dono,
outro vinha perguntar:
“Como é que tu pega a moto
sem primeiro confirmar?”
Eu, no meio daquela roda,
já sabia o que fazer:
guardar bem aquela história,
tinha crônica pra escrever!
[Final]
E assim continuo escrevendo
as crônicas do meu dia a dia.
Cada amigo tem seu verso,
cada verso, uma alegria.
Quando lembro dessa noite,
dou risada do que fiz.
Vou contando minhas histórias,
vou vivendo e sou feliz!
[Coro final]
Seis pãezinhos, doze cervejas,
chuva, samba e confusão!
Essa entrou nas minhas crônicas
com meu amigo Promoção!
[Final falado]
“Ô, Promoção…
da próxima vez eu vou a pé!”