Não olha pra trás...
Não olha pra trás...
Se ouvir seu nome...
Não olha pra trás...
Não abre a porta...
Não abre, não!
Se alguém bater três vezes...
Não diga seu nome, não!
Era meia-noite, noite fria, noite escura,
Uma velha estrada, uma antiga sepultura.
O vento assobiava, a floresta respondia,
E uma voz bem longe baixinho repetia:
"Vem pra cá... vem pra cá..."
"Vem pra cá... vem pra cá..."
Ele caminhou, sem saber onde pisava,
Quanto mais corria, mais a mata se fechava.
Ouviu um galho, ouviu um passo, ouviu um grito,
Mas quando olhou pra trás...
Não havia nada!
Nada! Nada!
Não havia nada!
Mas a voz voltou...
A voz chamou...
A voz chamou...
E ele escutou:
"Seu nome..."
"Seu nome..."
"SEU NOME!"
A noite vai chamar, chamar, chamar!
Se você responder, ela vai te encontrar!
Corre, corre, corre, não pare de correr!
Se a sombra te alcançar, você vai desaparecer!
Chama, chama, chama!
Não deixa ela entrar!
Bate, bate, bate!
Não deixa ela passar!
A noite vai chamar!
A noite vai chamar!
A noite vai chamar...
E VOCÊ VAI ESCUTAR!
Chegou numa casa no meio do matagal,
Porta enferrujada, janela de cristal.
Uma luz acesa no segundo andar,
E uma voz conhecida começou a lhe chamar:
"Filho..."
"Filho..."
"Filho, vem jantar..."
Ele reconheceu aquela voz no mesmo instante...
Era a voz da mãe que estava morta há anos antes.
A maçaneta girou...
A madeira rangeu...
A porta se abriu...
E a casa...
SORRIU.
Não entra...
Não entra...
Não entra...
Não olha...
Não olha...
Não olha...
Dentro da casa havia retratos na parede,
Todos com seus olhos seguindo quem procede.
Um retrato era dele, outro ainda criança,
Outro mostrava alguém sem rosto na lembrança.
No chão, uma fotografia começou a sangrar,
E uma mão debaixo dela começou a se formar.
Uma mão...
Duas mãos...
Três mãos no chão...
E todas apontavam...
PRA DIREÇÃO DA PORTA.
"Vem pra cá..."
"Vem pra cá..."
"Vem pra cá..."
Ele tentou fugir...
Mas a porta não abriu.
Tentou gritar...
Mas sua voz sumiu.
A noite vai chamar, chamar, chamar!
Se você responder, ela vai te encontrar!
Corre, corre, corre, não pare de correr!
Se a sombra te alcançar, você vai desaparecer!
Chama, chama, chama!
Não deixa ela entrar!
Bate, bate, bate!
Não deixa ela passar!
A noite vai chamar!
A noite vai chamar!
A noite vai chamar...
E VOCÊ VAI ESCUTAR!
Quem bate?
— Não sei.
Quem chama?
— Não sei.
Quem anda?
— Não sei.
Quem está atrás de você?
NÃO OLHA.
Não olha...
Não olha...
Não olha...
NÃO OLHA!
Três batidas!
TUM! TUM! TUM!
Três batidas!
TUM! TUM! TUM!
A porta tremeu!
A janela abriu!
A vela apagou!
E alguém sussurrou:
"Agora..."
"É SUA VEZ..."
A noite vai chamar, chamar, chamar!
Se você responder, ela vai te encontrar!
Corre, corre, corre, não pare de correr!
Se a sombra te alcançar, você vai desaparecer!
Chama, chama, chama!
Não deixa ela entrar!
Bate, bate, bate!
Não deixa ela passar!
A noite vai chamar!
A noite vai chamar!
A noite vai chamar!
E VOCÊ VAI ESCUTAR!
Não olha pra trás...
Não olha pra trás...
Se ouvir seu nome...