[Intro]
[Verse]
O metal frio não aquece mais a palma da mão
Giro a chave inglesa pra abafar a solidão
A graxa preta sob a unha é o que restou de nós
O silêncio da oficina é o eco da sua voz
Entre o guidão e o asfalto que a gente percorreu
Sobrou o óleo no chão de um sonho que faliu e morreu
Olho pra estante e vejo a moldura suja de pó
Conserto máquinas mas por dentro me sinto só
[Pre-Chorus]
O motor engasga como o choro que eu prendi
Cada peça solta lembra o dia em que te perdi
Tento ajustar o ponto pra ver se a vida volta a andar
Mas não existe ferramenta capaz de nos consertar
[Chorus]
Nessa garagem de sombras e ferros esquecidos
Onde os motores choram por caminhos perdidos
O cheiro do combustível se mistura com a saudade
Minha oficina é o asilo da nossa metade
Viro a noite apertando o parafuso da dor
Ninguém recupera o estrago de um antigo amor
[Verse]
A foto na bancada está manchada de fluido de freio
O tempo parou na curva onde senti o primeiro receio
Cada engrenagem que eu limpo é uma jura vazia
Sua ausência é a ferrugem que corrói minha alegria
As paredes guardam o rastro de uma jornada curta
A batida do pistão é a culpa que me insulta
Aperto o peito na mesma intensidade da porca
A felicidade saiu e bateu com força a porta
[Chorus]
Nessa garagem de sombras e ferros esquecidos
Onde os motores choram por caminhos perdidos
O cheiro do combustível se mistura com a saudade
Minha oficina é o asilo da nossa metade
Viro a noite apertando o parafuso da dor
Ninguém recupera o estrago de um antigo amor
[Chorus]
Nessa garagem de sombras e ferros esquecidos
Onde os motores choram por caminhos perdidos
O cheiro do combustível se mistura com a saudade
Minha oficina é o asilo da nossa metade
Viro a noite apertando o parafuso da dor
Ninguém recupera o estrago de um antigo amor
[Outro]