[Intro]
[Verse]
Nasceu do ventre escuro da mata fechada
Onde o sol não toca o chão de folhagem
Surgiu quando o primeiro machado feriu
A casca sagrada da árvore antiga
Um grito ecoou pelo vale profundo
Mistura de bicho e sopro divino
A terra tremeu sob os pés invertidos
Guardando o segredo do rumo traçado
[Verse]
Pequeno gigante de fogo na cabeça
Cabelos que queimam sem nunca apagar
Ele observa por trás das samambaias
O rastro que engana quem quer destruir
Não busca vingança mas busca o equilíbrio
Justiça forjada na seiva do tronco
Quem entra com ódio se perde no mato
Cercado por sombras que mudam de lugar
[Pre-Chorus]
As pegadas apontam para o que já passou
Enquanto o corpo avança pro centro do reino
O medo confunde a mente do homem
Que esquece o respeito pela vida silvestre
[Chorus]
Curupira senhor de cada semente
Protetor das raízes e dos animais
O mestre da trilha que volta ao início
Dono do assobio que gela o sangue
Espírito eterno da selva indomada
Lenda viva gravada no couro da mata
[Verse]
Ele pede fumo e pede o silêncio
Em troca da caça que alimenta o povo
Mas pune o ganancioso que abate por vício
E deixa a ferida sangrar no caminho
O som do seu golpe no casco do cedro
Avisa que a sentinela está atenta
Ninguém se esconde dos olhos de brasa
Que brilham no oco da grande caverna
[Verse]
As lendas diziam que ele era o vento
Que dobra as palmeiras em noite de chuva
Mas ele é a carne e o osso da terra
A força latente que brota do húmus
Seu passo é o mistério que desafia
A lógica rasa de quem só destrói
Um elo perdido entre o sonho e a vida
Vigília constante sob a luz do luar
[Pre-Chorus]
As pegadas apontam para o que já passou
Enquanto o corpo avança pro centro do reino
O medo confunde a mente do homem
Que esquece o respeito pela vida silvestre
[Chorus]
Curupira senhor de cada semente
Protetor das raízes e dos animais
O mestre da trilha que volta ao início
Dono do assobio que gela o sangue
Espírito eterno da selva indomada
Lenda viva gravada no couro da mata
[Outro]