Eu vim afogar a mágoa
No mesmo bar que cê me deixou
Mas a sede era da tua cara
Quando a porta se abriu e entrou
Cê não tava sozinho, não
Do lado tinha ela, sorrindo
Com o mesmo batom borrão
Que eu usava quando tava indo
Cê jurou que eu fui a única
Que te fez perder a razão
Mas teu “pra sempre” é de túnica
Que troca de coração
Ela é a próxima vítima
Do teu amor de vitrine
Que começa com “minha vida”
E termina com “esquece meu crime”
Eu tô aqui brindando a ruína
Que ela ainda chama de começo
Vai, menina, aproveita a sina
Antes de virar endereço
De mais um copo quebrado
Na mesa 7 do bar
Cê não ama, cê é viciado
Em ver coração sangrar
Licença, garçom, aumenta o som
Que eu vim cantar sem microfone
Pro moço da mesa 7 com
A nova dona do telefone
Pode deixar ela sentada
Que essa música é pra nós três
Pra quem mente, pra enganada
E pra quem cansou de ser freguês
Oi, moça, cê quer um conselho
Ou prefere aprender sozinha
Que o “pra sempre” desse espelho
Trinca na mesma vidrinha
Eu fui a última vítima
Cê vai ser a próxima, querida
Ele decora “minha vida”
Pra usar em toda despedida
Ele te dá o mesmo colar
Que me deu quando mentia
Mesmo bar, mesmo olhar
Mesma promessa vazia
Então brinda comigo, linda
Antes de virar saudade
Porque homem que só finge
Não sustenta a verdade
Pera aí que eu não sou plateia
Dessa tua novela sem fim
Se ele mentiu na tua ceia
Vai mentir no meu jantar sim
Eu vi no bolso o colar
Com o mesmo pingente torto
Que cê disse que foi te dar
No dia que eu não te suporto
Cê fala que ela é que é louca
Que inventa história de dor
Mas olha aqui na minha boca
Cadê o gosto do teu amor
Nós duas somos a vítima
Do mesmo amor de vitrine
Que começa com “minha vida”
E termina num “some”
Ele não ama, ele estima
O próprio ego no espelho
A gente era só a rima
Do poema mais vermelho
De mais um copo quebrado
Na mesa 7 do bar
Ele não ama, é viciado
Em ver mulher se acabar
E cê, que tá aí calado
Com essa cara de coitado
Engole seco esse recado
Que teu reinado acabou
Cê não é homem, é ensaio
De quem nunca aprendeu amor
Hoje eu viro o palco
E cê vira o cantor
Canta aí tua desculpa
Que nós duas já decorou
Ela foi a última vítima
Eu ia ser a próxima, mas não
Nós duas rasga a matrícula
Dessa escola de ilusão
Pode ficar com o bar
Com a mentira e a solidão
Porque hoje a mesa 7
É de quem tem coração
Obrigada pelo vexame
Que nos deu de volta a voz
Garçom, risca o nome desse infame
Da conta de todas nós
Boa sorte, próxima...
que não vai ter
Porque a conta hoje
É A LIBERDADE