A tarde cai devagar, e a esperança ainda tenta mentir,
Promete uma noite calma… que a razão vai logo proibir.
Mas a sombra do que fomos, esse brilho de amor proibido,
Não sai do meu peito — é um grito calado, um desejo escondido.
Cada um para um lado, em lares que nunca foram nossos,
Presos em vidas alheias, sem saída, sem rumos, sem alvos.
O adeus deixou o medo, uma dor que nunca se desfaz,
E o mundo lá fora passa, sem ver o que a gente faz:
Não vê nossa festa secreta, nem a fresta onde a gente se vê,
Não sabe que, em todo o meu ser, só existe você.
O celular vibra baixo — nosso sinal de esconderijo,
Como se o mundo pudesse nos roubar um do outro, a qualquer momento.
Você escreve: “Tudo bem?”… e seu cuidado é o meu único abrigo,
Mas eu minto que sim, brinco pra disfarçar o corte sangrando no peito.
Porque rir da própria dor é o jeito que aprendi de ser forte,
Mas por dentro, cada palavra sua é tudo o que me conforta.
Até que chega o texto, a confissão que me salva, que me acalma:
“É com você que eu quero estar. É você quem eu amo, minha alma.”
Nesse instante, o coração para, depois bate mais forte e profundo,
Um sorriso nasce no rosto… no meio de todo o meu mundo desfeito.
Saber-me seu, mesmo em segredo, é o que me faz continuar respirando,
É o único sopro de vida que me segura, que me faz seguir lutando.
Mas o brilho da tela se apaga, e volta o escuro ao meu redor,
Lembrando, com dor cortante: o nosso “nós” vive atrás de um muro.
Dois anéis em dedos diferentes, duas estradas já traçadas,
E nós nos amando… por caminhos fechados, proibidos, afastados.
É uma felicidade que arde feito fogo na pele e na alma,
Um alívio que vem sempre misturado a um choro que não se acalma.
Porque o amor que nos une, que é tudo o que eu tenho e que eu sou,
É o mesmo que nos machuca, que nos separa, que nos joga fora, que nos doou…
Essa dor de saber que o “pra sempre” é só um relance, um segundo,
Pois somos o amor mais lindo, mais forte e mais certo…
No lugar mais errado, mais triste e mais distante do mundo.
E mesmo sabendo de tudo, de todo o risco e de toda a dor,
Eu escolheria você de novo, mil vezes, mil vidas, mil vezes de amor.
Porque amar você assim, escondido, sofrido, proibido e profundo,
É o único jeito que eu sei de viver… nesse ou em qualquer outro mundo.