Dormimos dentro do carro,
com o mundo inteiro pra cruzar,
e entre mapas, risos e cansaço,
aprendiamos um novo jeito de amar.
Teve café no acostamento,
vento frio cortando o ar,
e a vida parecia tão simples
quando bastava juntas estar.
No deserto, um xixi escondido,
sob o céu mais lindo que alguém já viu,
enquanto flamingos mágicos dançavam
nos espelhos do salar que reluziu.
Llamas vaidosas desfilavam acessórios,
como rainhas do altiplano sem fim,
e os vulcões nevados observavam
duas almas dizendo “fica aqui”.
Tocava
Creep
na imensidão da estrada,
e o pôr do sol dourava o olhar,
enquanto uma cantava baixinho
e a outra só sabia admirar.
“Tienes ducha caliente?”
virou mantra, piada e oração,
entre cheiro de enxofre no ar
e comida simples na praça da estação.
Teve água pura das montanhas,
garrafa pet salvando o motor,
e a praia de Antofagasta
quase engolindo sem pudor.
Ela comprando as coisinhas dela,
Eu sorrindo sem perceber,
porque felicidade às vezes mora
nas pequenas manias de quem se escolhe pra viver.
E entre hambúrgueres inesquecíveis,
promessas de tatuagem na pele,
descobríamos que algumas viagens
não terminam quando a estrada pede.
Porque o nosso amor é desses raros,
que o tempo jamais desfaz:
duas mãos unidas pelo universo,
duas almas a viajar
e uma vontade infinita de nunca soltar.