Em algum lugar agora tem alguém chorando,
A barriga dói de fome, o prato está vazio.
Abandonado na rua castigando no frio.
Perdeu o emprego e o teto, a conta não fechou,
A dignidade agora cabe num barraco de chão.
A sociedade passa e finge que não viu,
Fechando o vidro do carro pra não estender a mão.
Por que tem que ser assim?
Por que tanta cruz?
No túnel do mundo, quem apagou a luz?
É a verdade nua e crua que ninguém quer escutar:
Enquanto uns esbanjam, outros sofrem pra respirar!
Se a nossa justiça falha e o mundo desaba em dor,
Eu canto o que ninguém fala, chorando por mais amor.
É triste ver um filho longe do colo da mãe,
Levar uma rasteira de quem devia proteger.
É ver o leito frio de um hospital lotado,
Com o corpo cansado lutando pra não morrer.
Até a fé dos homens se perde no fanatismo,
Pregando a intolerância que tira a nossa paz.
Criaram cercas e muros pro amor de Deus,
Esquecendo o que a palavra lá do início faz.
Por que tem que ser assim? Por que tanta cruz?
No túnel do mundo, quem apagou a luz?
É a verdade nua e crua que ninguém quer escutar:
Enquanto uns esbanjam, outros sofrem pra respirar!
Se a nossa justiça falha e o mundo desaba em dor,
Eu canto o que ninguém fala, chorando por mais amor.
Se isso tudo é carma ou destino cruel,
Eu não aceito a resposta de que nascemos pra sofrer.
Dizem que a evolução só vem através da dor,
E que na espiritualidade a gente vai entender.
Mas não acho justo o preço desse aprendizado,
Ver o justo pagando sem saber o porquê.
Eu sei que a recompensa vem do alto e do além,
Mas dói ver a humanidade sem saber o que fazer.
Como eu queria a cura, o abraço e o sorriso,
Transformar essa terra num pedaço de paraíso.
Onde não existissem lágrimas, nem desespero ou dor...
Mas já que sou pequeno e o mundo é essa tempestade,
Eu dobro o meu joelho na calada da saudade,
E peço em oração: Deus, salva a humanidade.