Se a vida avançasse além da fronteira,
Sem a pressa do fim a nos cobrar,
A existência seria uma fogueira
Onde o tempo deixasse de apressar,
Para a alma aprender a contemplar.
A correria cede ao tom suave,
O acúmulo perde o seu valor,
A consciência voa como ave,
Buscando a essência do amor,
Na memória que cura qualquer dor.
A mente se transforma em antena,
Liberta do limite do corpo e chão,
Assiste a cada ato nessa cena,
Sem a dúvida grave da ilusão,
Sintonizada na imensidão.
O passado e o futuro se misturam,
Num presente sem pressa de acabar,
As vidas não vividas se estruturam,
No sentir que não para de ressoar,
Onde o próprio caminho é o nosso lar.