[Verso 1]
Acordo antes do sol,
com o peito sem lugar,
mais uma noite molhada
de tanto tentar chorar.
Eu digo: que pena, que pena,
como quem pede perdão,
mas a voz perde o caminho
dentro da própria garganta, não.
[Pré-Refrão]
Não tenho força pra andar,
nem coragem pra partir,
se minhas asas se lembram
que nasceram para fugir.
[Refrão]
E toda manhã vai nascer,
trazendo a dor outra vez,
mas eu não consigo encarar
esse dia que já se fez.
Por que eu preciso sofrer?
Pra que insistir em viver?
Se tudo o que eu quero é ser eu,
e ter um coração para aquecer.
[Verso 2]
A casa guarda meus passos,
o café esfria no chão,
um retrato antigo me chama
pelo nome que eu perdi na mão.
Eu digo: que pena, que pena,
sem saber de quem é a culpa,
carrego o peso do mundo
como uma roupa que nunca se ajusta.
[Pré-Refrão]
Não tenho força pra andar,
nem vontade de fingir,
se o céu se abre tão alto,
por que eu não consigo subir?
[Refrão]
E toda manhã vai nascer,
trazendo a dor outra vez,
mas eu não consigo encarar
esse dia que já se fez.
Por que eu preciso sofrer?
Pra que insistir em viver?
Se tudo o que eu quero é ser eu,
e ter um coração para aquecer.
[Ponte]
Talvez exista um instante
entre o fim e o recomeço,
um lugar onde a alma respira
sem pagar por cada tropeço.
Se ainda me resta uma palavra,
eu guardo para dizer:
não quero ser pedra nem sombra,
quero sentir, quero viver.
[Refrão Final]
E toda manhã vai nascer,
mesmo que eu tema outra vez,
eu vou olhar para o céu
sem pedir que ele me desfaça de vez.
Por que eu preciso sofrer?
Talvez eu ainda possa escolher:
ser eu, com o peito aberto,
e ter um coração para aquecer.
[Outro]
Que pena... eu dizia,
mas hoje escuto a minha voz.
A manhã nasceu tão perto,
e ainda há algo vivo em nós.