AR SURO
[Introdução]
(Violão acústico dedilhado em tom menor, melancólico e lento)
[Estrofe 1]
Não sei se fabrico o ar que respiro...
Ou se liberto o ar que suspiro.
O vento traz a mistura pura e impura,
Encontra o ser vivo na sua estrutura.
A poeira maluca, em redemoinho,
Conduz ao perigo... desvia o caminho.
[Refrão]
(Aumenta a intensidade do violão, entra uma batida seca)
Não dá pra respirar sem engolir o impuro!
Não vejo saída desse tempo escuro...
Viver no sopro desse ar tão suro.
Polui a terra, ainda que chova,
Traz a doença que a vida reprova.
[Estrofe 2]
(Mais falada/declamada, ritmo compassado)
Adoece o bicho, adoece o homem,
Vem o vírus que as horas consomem.
Ah, tempo de seres homeotérmicos!
No esquentar e esfriar desses dias térmicos...
A gente se recolhe pra espairecer,
A gente se esconde pra não morrer.
[Fim / Declamação]
(O som do violão vai sumindo aos poucos, ficando apenas a voz ecoando)
Sei não...
(Pausa)
Caba não, mundão.