*Avô da SLU, do Verso e da Roça*
_Hoje, 18 de junho de 2026_
Foi homem da SLU até o dia de aposentar,
vassoura na mão, cidade pra limpar.
Mas limpava mais que rua, limpava desgosto,
com um assobio manso e o suor no rosto.
Gostava de compor, violão no peito,
fazia da vida música de qualquer jeito.
Cantava pra mim com a voz embaralhada,
e era serenata a casa inteira, de madrugada.
Todo ano tinha roça, era lei, era sina,
pé na terra vermelha, chapéu na rotina.
Contava história de onça, de seca, de irmão,
e a gente menino, de boca aberta no chão.
Teimoso que só ele, brigava até com a dor,
"Trabalhar não mata", dizia o senhor.
Mesmo sem poder, pegava na enxada,
porque parado o homem vira nada.
Hoje é 18 de junho, e o mundo gira,
mas tua cadeira vazia ainda me inspira.
Se tem céu, tem viola tocando lá em cima,
e o avô teimoso compondo mais uma rima.
Se a SLU te aposentou do ponto,
a vida nunca aposenta homem pronto.
Descansa, mas volta no vento da roça,
pra cantar pra mim quando a saudade for moça.
Levo teu nome, teu verso, teu jeito,
de trabalhar com fé e morrer sem defeito.
Obrigado, meu velho, por cada canção,
você foi minha primeira e eterna lição