Entre a Lua e o Sol
Já passei da saudade
Daquilo que nunca aconteceu,
Da vontade de entender
O que nem o coração compreendeu.
Já passei das noites pensando
No que poderia ter sido,
Mas basta o acaso cruzar nossos caminhos
E tudo volta ao que estava escondido.
É uma eletricidade estranha,
Um fio que ninguém pode ver.
Você passa pelo mesmo espaço
E alguma coisa começa a acender.
Não sei se é saudade,
Se é encanto ou ilusão.
Só sei que a sua presença
Desorganiza a minha razão.
E eu sorrio...
Mesmo sem ter tido nada.
Mesmo sem ter chegado perto.
Mesmo sem uma história para lembrar,
Existe uma história que o coração inventou em segredo.
Você nunca me prometeu nada.
Talvez nem saiba o que causou.
Mas aquele sorriso tão simples
De algum jeito me transformou.
Eu já organizei meus pensamentos,
Já deixei o tempo passar.
Já achei que tinha colocado tudo no lugar
E aprendido a não procurar.
Mas então...
Quando a Lua encontra o céu do Sol,
Quando o Sol atravessa a noite,
Basta um segundo de presença
E o que estava quieto ganha voz.
É sempre assim.
Vai embora, o tempo conserta.
A distância ensina a respirar.
E quando eu penso que esqueci,
Você reaparece sem avisar.
Não é vício.
Não é espera.
Não é vontade de possuir.
É só esse estranho carinho
Que eu não consigo definir.
Talvez seja amor sem destino.
Talvez seja apenas admiração.
Talvez seja a alma reconhecendo
Uma luz em outra direção.
E talvez a verdade seja simples:
Nem tudo que toca a nossa alma
Precisa ficar na nossa vida.
Algumas pessoas chegam apenas como passagem,
Mas deixam uma luz permanente.
E você...
Você é esse mistério
Que eu nunca consegui explicar.
Não porque eu queira você perto.
Mas porque, de algum jeito,
Só saber que você existe
Já fez alguma coisa em mim mudar.
Então, se amanhã a Lua se esconder
E o Sol seguir o seu caminho,
Eu vou continuar vivendo.
Porque aprendi que sentir
Não significa precisar.
E que algumas saudades
Não pedem reencontro.
Pedem apenas um lugar
Onde possam existir em paz.
Talvez seja isso que somos:
Um Sol e uma Lua
Dividindo o mesmo céu,
Sem nunca pertencer um ao outro...
Mas, de vez em quando,
Se encontrando no mesmo horizonte.
E bagunçando tudo outra vez.