Ela tem o laço na cintura
E a madrugada no chapéu
Ele tem pressa e assinatura
E reunião marcada no papel
Ela doma potro na invernada
Ele doma planilha no escritório
Ela fala com boi na madrugada
Ele fala com sócio no refeitório
Se encontraram numa festa de peão
Ela na arena, ele no camarote
Um olhar bateu mais que berrante
E virou comédia, virou açoite
Ele nunca viu estrela sem prédio
Ela nunca viu amor sem rodeio
Mas o coração não tem remédio
Quando resolve cruzar o meio
Ela é bota, ele é gravata
Ela é poeira, ele é asfalto
Mas quando o peito desata
Ninguém segura esse salto
Ela ensina ele a montar
Ele ensina ela a voar
Dois mundos vão se esbarrar
Pra ver qual vai se apaixonar
Ele levou rosa pra porteira
Ela levou prosa pro jantar
Ele estranhou a capela inteira
Quando ela chamou pra rezar
Ela riu do vinho na taça
Ele bebeu leite no curral
Ela mostrou que amor não passa
Nem no brete nem no capital
A cidade diz que não combina
O sertão diz que vai doer
Mas o amor não pede rima
Só pede os dois pra se escolher
Ele trocou o terno pela poeira
Ela trocou a sela pela avenida
Porque quando Deus é a fronteira
Toda estrada vira saída
Ela é bota, ele é gravata
Ela é poeira, ele é asfalto
Mas quando o peito desata
Ninguém segura esse salto
Ela ensina ele a montar
Ele ensina ela a voar
Dois mundos vão se esbarrar
Pra ver qual vai se apaixonar
Dizem que boiadeiro não casa com doutor
Mas o coração não lê cartório, meu amor
Se for pra ser, que seja no laço
Eu te levo pro mato, cê me leva pro abraço
Ela é bota, ele é gravata
Ela é poeira, ele é asfalto
Mas quando Deus une a data
Nem distância corta o laço
Ela ensina ele a montar
Ele ensina ela a voar
Dois mundos vão se casar
E o amor vai testemunhar
Bota e gravata
No altar, que ingrata
Quem falou que não dava
Agora bate palma