O princípio do nada sou eu.
E mesmo assim, floresço no breu.
Que tristeza maior que ser abismo
e ainda assim ser seu.
Sou a falta que veste nome,
o silêncio que aprendeu a cantar.
Sou raiz que cresce sem chão,
só pra ter onde me enterrar.
Tenho no peito um quarto fechado
onde guardo tudo que não fui.
Acendo vela pro que não veio,
rezo o terço do que me destrui.
Me faço ponte sobre o vazio,
pra você atravessar sem me ver.
Sou o chão que estala baixinho
só pro teu passo não doer.
O princípio do nada sou eu.
E mesmo assim, escolho ser teu.
Que beleza maior que ser ruína
e ainda assim te dar o que é meu