[Verse 1]
Você escreveu na mesa da cozinha
Com prazo curto e café sem açúcar
Depois alguém levou sua assinatura
E vendeu seu nome em outra vitrine
Seu traço virou campanha de mercado
Seu texto, embalagem e slogan
Na planilha, o lucro foi contado
Na margem, seu crédito desapareceu
[Pre-Chorus]
Dizem que a ideia fica no ar
Como se nascer bastasse para não pertencer
Mas quem sustenta o peso de criar
Sabe o preço que tentam esconder
[Chorus]
Quem é dono da arte quando apagam o autor?
Quem recebe o valor quando roubam o suor?
A marca some, o contrato permanece
E a máquina cresce enquanto a voz envelhece
[Verse 2]
Copiam a forma, mudam duas palavras
Chamam de referência, chamam de tendência
O original espera uma resposta
Enquanto o cópia ganha audiência
Há leis na parede, silêncio no processo
Um selo no papel não garante proteção
Quem tem dinheiro compra o endereço
E transforma apropriação em inovação
[Pre-Chorus]
Dizem: aceite, isso é divulgação
Como se exposição pagasse aluguel
Mas toda obra carrega uma mão
Mesmo quando escondem quem fez
[Chorus]
Quem é dono da arte quando apagam o autor?
Quem recebe o valor quando roubam o suor?
A marca some, o contrato permanece
E a máquina cresce enquanto a voz envelhece
[Bridge]
Não é vaidade pedir reconhecimento
É justiça nomear a origem
Sem memória, qualquer roubo vira método
Sem autoria, toda promessa se corrói
Quem decide o que pode ser tomado?
Quem lucra com o rastro apagado?
Se a criação pertence a todos,
Por que só alguns saem pagos?
[Chorus]
Quem é dono da arte quando apagam o autor?
Quem recebe o valor quando roubam o suor?
A marca some, o contrato permanece
E a máquina cresce enquanto a voz envelhece
[Outro]
Devolvam o nome a cada linha
Deixem a origem sobreviver
Arte não nasce sem ninguém
E ninguém deve lucrar ao esconder