(Verso 1)
Foram mais de doze anos dividindo o mesmo teto,
tantos planos desenhados, tantos sonhos tão de perto.
Mas o tempo foi levando o brilho do nosso olhar,
e o amor que era gigante começou a se apagar.
Eu descobri conversas escondidas no celular,
promessas e intimidades que não eram do nosso lar.
Mesmo com o peito em pedaços, eu tentei recomeçar,
engoli meu orgulho e escolhi te perdoar.
(Pré-refrão)
Mas as feridas mal fechavam, outra briga acontecia,
você dizia que eu dava mais amor pra quem nem falaria.
Era o cachorro no meu colo, era um bicho sem abrigo,
e você nunca entendia o que isso tinha comigo.
(Refrão)
Hoje eu moro na casa ao lado,
só eu e o meu cachorro abandonados.
E toda noite eu vejo a luz do nosso antigo quarto acesa,
enquanto eu tento juntar os pedaços dessa tristeza.
Troquei a mesa farta por um café requentado,
mas a fome que mais dói é viver sem teu abraço.
Eu saí da nossa casa, mas você não saiu de mim,
quem vê pensa que eu tô forte...
só eu sei como é o fim.
(Verso 2)
Quantas vezes eu cheguei alimentando um cão da rua,
você dizia: "Ou eles ou eu", e eu não sabia a culpa.
Porque quem conhece o abandono reconhece a solidão,
talvez por isso eu acolhesse quem chegava ao meu portão.
A verdade é que nós dois já vivíamos separados,
mesmo deitados na mesma cama, tão desencontrados.
Até que um dia as malas vieram confirmar,
que o amor sem cuidado também sabe terminar.
(Pré-refrão)
E eu que sempre fui tão firme, me perdi na despedida,
porque ninguém sai inteiro de uma história tão comprida.
Meu cachorro é meu consolo quando a saudade vem latir,
mas nem ele dá um jeito desse amor sair daqui.
(Refrão)
Hoje eu moro na casa ao lado,
só eu e o meu cachorro abandonados.
E toda noite eu vejo a luz do nosso antigo quarto acesa,
enquanto eu tento juntar os pedaços dessa tristeza.
Troquei a mesa farta por um café requentado,
mas a fome que mais dói é viver sem teu abraço.
Eu saí da nossa casa, mas você não saiu de mim,
quem vê pensa que eu tô forte...
só eu sei como é o fim.
(Ponte)
Se amar fosse bastante, nós não teríamos caído,
mas perdão sem mudança também deixa o peito ferido.
Eu cuidei dos animais que o mundo deixou pra trás,
e agora sou eu quem aprende a se recolher dos vendavais.
(Último refrão)
Hoje eu moro na casa ao lado,
com um coração cansado e um cachorro do meu lado.
Se alguém perguntar por que eu ainda não fui embora,
é porque do outro lado do muro mora a minha história.
E entre latidos e lembranças eu vou tentando existir,
pedindo a Deus que um dia essa saudade vá partir.
Porque eu deixei aquela casa, mas confesso sem fingir:
o homem que saiu de lá...
ainda não conseguiu sair de ti.