Com apenas oito anos, eu já via a luta chegar
Minha mãe levantava antes do sol raiar
Ia cortar lenha no mato, andava léguas pra buscar
Água de uma fonte distante, só pra gente se alimentar
Suas mãos ficavam grossas, o rosto marcado pelo sol
Mas nunca reclamava, tinha um coração de farol
Eu olhava e pensava: um dia eu vou mudar
Tiro ela desse cansaço, dou um lar pra descansar
(Pré-Refrão)
O sertão é terra dura, mas ensina a valorizar
Sonhei com a cidade, com um teto pra morar
Prometi bem lá no fundo, sem ninguém saber
Que ia sair e lutar, para ela agradecer
(Refrão)
Deixei o sítio pequeno, fui o mundo desbravar
Com a lembrança da mãe, eu não podia parar
Trabalhei dia e noite, sem medo de suar
Até que o sonho chegou, eu pude realizar
Comprei uma casinha, na cidade pra morar
Levei ela nos braços, vi seus olhos a brilhar
Não precisa mais cortar lenha, nem longe caminhar
Hoje vive tranquila, pode enfim descansar
(Verso 2)
Anos se passaram, muita estrada eu percorri
Ganhei o meu dinheiro com honestidade e fé
Lembrei da sua luta, do seu jeito de amar
E isso foi a força para eu nunca parar
Quando mostrei a casa, ela mal podia crer
Disse que era um presente que não podia merecer
Mas eu disse: — É seu, mãe, fruto do meu suor
Quero ver você feliz, sem sentir mais dor
(Refrão Final)
Deixei o sítio pequeno, fui o mundo desbravar
Com a lembrança da mãe, eu não podia parar
Trabalhei dia e noite, sem medo de suar
Até que o sonho chegou, eu pude realizar
Comprei uma casinha, na cidade pra morar
Levei ela nos braços, vi seus olhos a brilhar
Não precisa mais cortar lenha, nem longe caminhar
Hoje vive tranquila, pode enfim descansar
(Saída)
O sertão me criou, me deu força pra lutar
Mas a maior vitória é ver minha mãe sorrir 🎶