[Intro]
[Verse]
Olho o relógio parado na parede branca
Contando as horas de um tempo que não vem
A xícara fria repousa sobre a mesa manca
E o silêncio ocupa o lugar de alguém
Eu desenhei caminhos que você não quis trilhar
Construí castelos em grãos de areia vãos
É um cansaço fundo de tanto te esperar
Com flores murchas apertadas nas mãos
[Verse]
As cartas que escrevi guardei na gaveta escura
Palavras mudas que o vento não quis levar
Existe uma linha tênue entre o sonho e a tortura
Quando o horizonte insiste em me cegar
A chuva bate no vidro de um jeito ausente
Como se o céu soubesse o que eu tentei esconder
Essa ferida aberta lateja no presente
Lembrando a falta que insiste em crescer
[Chorus]
O avesso do afeto é esse vácuo no peito
Um abraço que dei no vazio da solidão
Procuro um culpado mas aceito o defeito
De amar sozinho e não ter a sua mão
É uma saudade que não possui paradeiro
Um grito contido que a garganta não solta
Sou passageiro num barco sem marinheiro
Esperando um cais que não tem mais volta
[Bridge]
Talvez o erro tenha sido a entrega absoluta
O vício de enxergar sol onde havia neblina
A alma desgasta nessa eterna luta
De querer o destino que a vida desassina
Não há remédio para o que nunca nasceu
Apenas a sombra do que poderia ter sido
O brilho nos olhos aos poucos se perdeu
Nesse labirinto de um querer esquecido
[Verse]
Apaguei os rastros que deixei pelo caminho
Para não correr o risco de retroceder
Aprendi a duras penas a caminhar sozinho
Mesmo que o peito insista em doer
O espelho devolve um rosto que não reconheço
Marcado por um sentimento sem morada
Paguei por um sonho um altíssimo preço
E agora resta apenas essa estrada gelada
[Verse]
Vou fechar as cortinas e apagar a memória
Deixar que a poeira cubra o que restou
Vou colocar um ponto final nessa história
Que o seu desinteresse enfim desandou
Não restam cinzas porque nunca houve fogo
Apenas o gelo de um encontro adiado
Perdi as apostas nesse insano jogo
De viver preso a um futuro passado
[Chorus]
O avesso do afeto é esse vácuo no peito
Um abraço que dei no vazio da solidão
Procuro um culpado mas aceito o defeito
De amar sozinho e não ter a sua mão
É uma saudade que não possui paradeiro
Um grito contido que a garganta não solta
Sou passageiro num barco sem marinheiro
Esperando um cais que não tem mais volta
[Chorus]
O avesso do afeto é esse vácuo no peito
Um abraço que dei no vazio da solidão
Procuro um culpado mas aceito o defeito
De amar sozinho e não ter a sua mão
É uma saudade que não possui paradeiro
Um grito contido que a garganta não solta
Sou passageiro num barco sem marinheiro
Esperando um cais que não tem mais volta
[Outro]