Tempos de Infância
Autor: Uilco
Lembro da casa que um dia foi meu lar,
Deixei lá em Teófilo Otoni e em São Paulo vim morar.
Era pequeno e não sabia cavalgar.
Mas agora aquí sou grande, não consigo me formar.
Trabalho duro, vida de amargurar,
De um Estado para o outro foi preciso mudar.
Plantava milho e tinha canas pra chupar.
Dá saudade da terrinha mineira que deixei lá.
Vim pra São Paulo, mas não para passear,
Correria é o dia-a-dia só para me sustentar.
Da infância agora eu irei lhe contar, e se você não pintou o sete certamente irá pintar.
De esconde-esconde eu brincava sem cansar, pega-pega e ciranda, amarelinha sem parar.
Era bonito o cantar da sabiá, e a cigarra que cantava, eu ficava a admirar.
Fogão de lenha, a noite brilhava o lua, eu contava as estrelas antes de eu ir deitar.
Mãe me ribursa, eu com pai ia trabalhar,
De manhã carpindo o mato, e bênção tinham pra me dar.
Levava a lenha e o pai ia garimpar, minha mãe curtia a horta e o café ia torrar
No pilão, café e coloral para socar.
Meus irmão pelo terreiro com vizinhos à brincar.
Com tudo isso não tenho que me queixar, mas brinquedos que eu via não podia comprar.
Mas em São Paulo a coisa era de apertar,
De uma casa para outra com parentes à morar.
Ia pra escola, tinha um frio de rachar, me faltava agasalho, alguém surgia pra doar.
Jogava bola e bicicleta para andar, ou carrim de rolemã. Eu não deixava me abalar.
De gude-gude com os amigos à brincar,
De vez em quando uma briguinha, e capoeira à gingar.
Tempos de infância é bom para se lembrar,
serve como experiência pra algum dia que virá. Pois sou casado e tenho um filha pra criar, nessa
minha poesia ela também irá passar.
Mesmo adulto eu consigo contrastar
com os tempos de criança, coisas pra
vivenciar.
Eu tinha muitas coisas para lhe contar,
mas o tempo não permite, e a
canção tem que terminar.