Eu reclamava do vestido
Que cê remendava com amor
Achava feio e esquecido
Perto das outras ao redor
Não entendia a marmita
Que cê arrumava sem dormir
Nem porque cê tava aflita
Se eu demorasse pra vir
Eu via só a cobrança
Nunca via o coração
Que trocava a esperança
Pela minha proteção
Achava que era sorte
Ter amiga, ter lugar
Sem saber que meu norte
Era você me guiar
Mas hoje que a vida aperta
Que o mundo mostra o espinho
Eu vejo que a tua oferta
Foi me livrar do caminho
Errado, do tombo feio
Do amor que machuca e vai
Cê foi meu maior esteio
Quando eu não sabia, mãe
Só depois que cresci, mãe
Eu entendi teu silêncio
Cada “volta cedo” teu
Era livramento imenso
Só depois que o mundo doeu
Sem teu colo pra correr
Eu vi que teu abraço, mãe
Era meu jeito de viver
Me perdoa a menina
Que não soube te olhar
Cê foi minha medicina
Quando eu só sabia chorar
Hoje eu sei que tua lida
Tinha o meu nome no altar
Mãe, cê é minha vida
Meu jeito de continuar
Lembro de cê na janela
Esperando eu voltar
Com terço, vela e aquela
Oração pra me guardar
Do seu batom guardado
Pra comprar meu material
Do cabelo despenteado
Porque o meu era o vital
Eu queria ser aceita
Pelo mundo, pela cor
E cê me fez perfeita
Com teu jeito de amor
Cê nunca teve espelho
Só tinha meu olhar
E mesmo sem conselho
Soube como me formar
Mãe também sangra em prece
Mas não deixa a gente ver
Hoje eu te peço a prece
De me deixar te valer
Só depois que cresci, mãe
Eu entendi teu silêncio
Cada “volta cedo” teu
Era livramento imenso
Só depois que o mundo doeu
Sem teu colo pra correr
Eu vi que teu abraço, mãe
Era meu jeito de viver
Me perdoa a menina
Que não soube te olhar
Cê foi minha medicina
Quando eu só sabia chorar
Hoje eu sei que tua lida
Tinha o meu nome no altar
Mãe, cê é minha vida
Meu jeito de continuar
Mãe, se eu pudesse agora
Voltar no tempo atrás
Eu ia ser tua aurora
Depois dos teus ais
Ia trançar teu cabelo
Ia ouvir tua canção
Ia ser teu espelho
Pra te dar direção
Porque hoje eu entendo
Que cê se esqueceu de você
Pra eu ir vivendo
E aprendendo a ser mulher
Só depois que cresci, mãe
Eu virei tua menina de novo
Pra cuidar de quem cuidou
Quando eu era só um povo
Sem rumo, sem juízo
Sem saber te agradecer
Hoje eu te peço, preciso
Deixa eu te fortalecer
O que cê fez por mim
Não cabe em poesia
Mas eu tento assim
Te dar meus dias
Obrigado, mãe
Por me ensinar a ser
Agora é minha vez
De ser teu laço
Te amo, mãe
Teu eterno abraço
Essa é pra todas as mães
Que eu conheci
Que é guerreira, e batalhadora
Que nao tem medo de lutar
Por um filho teu