INTRODUÇÃO
Em “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o protagonista dedica a vida a projetos para o
desenvolvimento do Brasil, mas vê suas propostas serem ignoradas pelo governo e ridicularizadas pela sociedade. Essa trajetória revela um país em que os desafios nacionais esbarram tanto na indiferença do poder público quanto no desinteresse coletivo. Tal realidade persiste no que diz respeito aos desafios para o combate às “fake news” na sociedade brasileira, problemática que corrói a confiabilidade das instituições democráticas e coloca em risco a saúde e a segurança coletivas, mas que, assim como os projetos de Policarpo, segue à margem das prioridades nacionais. Nesse contexto, esse quadro decorre do descaso governamental e da negligência social.
DESENVOLVIMENTO 1- ESTADO
Diante desse panorama, é relevante destacar a insuficiência da ação estatal. Sob esse viés, o economista
Anthony Downs, em “Uma Teoria Econômica da Democracia”, afirma que os governantes orientam suas decisões pela busca de votos e pela manutenção do poder, relegando o bem comum a segundo plano. No caso da proliferação de notícias falsas, essa lógica é evidente: medidas como a implementação de programas de educação midiática e o fortalecimento da fiscalização contra redes de desinformação exigem investimentos contínuos e produzem resultados pouco visíveis a curto prazo, razão pela qual rendem poucos votos e são constantemente adiadas. Prova disso é a escassez de projetos pedagógicos que ensinem a checagem de fatos nas escolas, somada à morosidade estatal em coibir disparos ilegais de boatos. Por conseguinte, grande parte da população torna-se vulnerável a golpes financeiros, ao negacionismo científico e à manipulação eleitoral, o que
confirma a tese de Downs: quando a lógica eleitoral prevalece, o bem comum é negligenciado.
DESENVOLVIMENTO 2 - SOCIEDADE
Ademais, a omissão social diante da propagação de inverdades nas redes contribui de forma decisiva para
sua persistência. Nesse sentido, o sociólogo Stanley Cohen, ao formular o conceito de “negação implicatória”,
explica que muitas pessoas reconhecem a existência de um problema, mas negam suas implicações morais,
convencendo-se de que ele não lhes diz respeito ou de que nada podem fazer. É exatamente esse mecanismo
que se observa em relação ao fenômeno da desinformação: a sociedade não ignora o compartilhamento impulsivo de conteúdos sem comprovação em aplicativos de mensagens, mas o minimiza como algo natural, atitude reforçada pelo hábito acrítico de validar apenas informações que confirmam crenças pessoais e pela
ideia equivocada de que repassar um boato não gera danos reais. Consequentemente, o tema perde espaço nas conversas familiares, nas escolas e nas redes sociais, o que converte a circulação de “fake news” em uma
rotina socialmente aceita e transmitida de geração em geração.
CONCLUSÃO
Portanto, o Governo Federal, instância máxima da administração pública, deve priorizar a implementação de prog