[Intro]
[Verse]
O cavaquinho chora um tom de despedida
A poeira sobe onde o povo faz o chão
Uma saudade que não cabe nessa vida
Transborda o peito e vira nossa oração
O surdo bate no compasso da memória
Marcando o tempo que a gente não viveu
Cada sorriso é um retalho da história
De um amor que no sereno se perdeu
[Verse]
A palma da mão dita o rumo da conversa
Onde a tristeza vira samba de valor
Ninguém tem pressa mas a alma tem conversa
Com os fantasmas que sobraram desse amor
Tem um aperto que o pandeiro não disfarça
Uma vontade de abraçar quem já partiu
A gente ri pra ver se a mágoa enfim passa
Pois no vazio o nosso peito se fundiu
[Chorus]
É o pagode que emociona o coração da gente
Uma mistura de alegria e de agonia
Onde o lamento se faz mestre e vira semente
Pra florescer no altar da nossa cantoria
É o pagode que deságua todo esse sentimento
Lava o espírito na força do refrão
A nossa cura vem agora nesse movimento
Unindo a voz e o bater da nossa mão
[Verse]
Olho pro lado e vejo o brilho em cada rosto
Um brilho turvo de quem sabe o que é sofrer
Beber o mel sentindo ainda o amargo gosto
De tudo aquilo que o destino fez perder
A cerveja gela mas o sangue ainda ferve
Na mesa gasta onde a vida se refaz
Toda palavra que o poeta nos escreve
Traz o consolo que o silêncio não traz
[Verse]
Vou batucando na madeira do destino
Pedindo ao santo pra guiar o meu cantar
Sou feito um homem com o pranto de um menino
Buscando o porto pra poder enfim pousar
A cuíca ronca um segredo no ouvido
Dizendo que a dor também é um lugar
Para encontrar o que um dia foi perdido
E no compasso aprender a recomeçar
[Chorus]
É o pagode que emociona o coração da gente
Uma mistura de alegria e de agonia
Onde o lamento se faz mestre e vira semente
Pra florescer no altar da nossa cantoria
É o pagode que deságua todo esse sentimento
Lava o espírito na força do refrão
A nossa cura vem agora nesse movimento
Unindo a voz e o bater da nossa mão
[Outro]