**[INTRO – FALADO, COM BREQUE]**
Ô, meu cumpadre!
Ainda tá separando
Coisa de homem e de mulher?
Oxente!
Até pra ser feliz precisa de alvará?
Segura esse samba!
**[VERSO 1]**
Ela entende de motor,
Ele manda bem no fogão.
Ela comanda uma obra,
Ele cuida do salão.
Mas tem fiscal de costume
Querendo tudo enquadrar.
Não dá conta da própria vida,
Mas quer no mundo mandar!
**[VERSO 2]**
Se ela manda, é mandona,
Se ele manda, é patrão.
Se ela cobra, é implicante,
Se ele cobra, tem razão.
Dois pesos, duas medidas,
Que danada confusão!
Quem inventou essa balança
Pesa até a própria razão!
**[PRÉ-REFRÃO]**
Tem moderno de fachada,
Com discurso de ocasião.
Fala tanto em liberdade,
Mas só aceita submissão.
Quer dar regra pro mundo inteiro,
Sem ninguém lhe perguntar.
Quem não cuida do próprio rumo
Quer o rumo alheio traçar!
**[REFRÃO – VOZ SOLO]**
Direitos iguais, meu rapaz!
O que vale pra um
Vale pro outro, nada mais!
Direitos iguais, meu rapaz!
Ninguém nasceu pra ser dono
Da liberdade dos demais!
Se não gostou, paciência!
Não precisa concordar.
Respeitar não é favor,
Nem depende do seu aval!
**[VERSO 3]**
Ela paga a conta inteira,
Ele cuida do bebê.
Tem sujeito que se espanta:
“Que absurdo é esse, hein?”
É o mundo seguindo em frente,
Sem pedir autorização.
Quem não sabe repartir
Quer mandar na divisão!
**[VERSO 4]**
Tem sujeito tão moderno,
Com tecnologia na mão,
Mas conserva na cabeça
Preconceito de estimação.
Quer voltar pra Idade Média,
Mas não larga o celular.
Quando acaba a internet,
É o primeiro a reclamar!
**[REFRÃO – VOZ SOLO]**
Direitos iguais, meu rapaz!
O que vale pra um
Vale pro outro, nada mais!
Direitos iguais, meu rapaz!
Ninguém nasceu pra ser dono
Da liberdade dos demais!
**[PONTE – SAMBA DE BREQUE]**
Quem manda nessa casa?
Quem souber conversar!
E quem cuida das crianças?
É dever de quem criar!
E o trabalho de mulher?
É o que ela escolher!
E o trabalho de homem?
O que ele quiser fazer!
**[QUEBRA – FALADO, IRÔNICO]**
Ô, meu distinto!
Não precisa gostar de mim,
Nem pensar igual a mim!
Mas se igualdade te incomoda...
Tenho passagem pra Idade Média!
Só tem um probleminha...
É só de ida!
**[REFRÃO FINAL – PERCUSSÃO CRESCENTE]**
Direitos iguais, meu rapaz!
Ninguém vale menos,
Ninguém vale mais!
Direitos iguais, meu rapaz!
Quem respeita a diferença
Não precisa de fiscais!
**[FINAL – BREQUE]**
Quer voltar pra Idade Média?
Boa viagem, cidadão!
Só não leva meu pandeiro,
Que ele não aceita patrão!
**[FALADO – VOZ SOLO]**
E se ainda não entendeu...
Paciência!
Eu vou sambar...
E vê se atualiza o coração!