[Introdução falada]
Atenção, minha gente!
O homem disse que agora vai!
Pergunte pra onde, antes de ir atrás!
[Verso 1]
Chegou de botina nova,
levantando a poeira,
abraçou dona Raimunda
bem no meio da feira.
Disse: “Eu conheço a roça,
sou do cabo da enxada!”
Mas pediu pro assessor
lhe ensinar uma enxadada.
Prometeu água na bica,
professor e condução,
um doutor no fim da rua,
comida em cada fogão.
Foi promessa tão bonita,
de fazer cristão sonhar,
que meu bode entrou na fila
pro sujeito lhe abraçar!
[Refrão]
Promete, promete,
que o palanque aguenta!
Mas conversa na panela
não tempera nem sustenta!
O povo tem em quem confiar,
ele tem quem enganar.
Puxe o fole, sanfoneiro,
que hoje nós vamos cobrar!
[Verso 2]
Disse: “Eu luto pelo povo!”
Respondi: “Pois venha cá!
Tem um saco de cimento
pro senhor me ajudar!”
Ele olhou pro assessor,
que chegou passando à frente:
“Não maltrate a coluna
do futuro presidente!”
Pôs a placa de uma ponte
junto à curva do riacho.
Veio a cheia, foi-se a placa,
rodopiando rio abaixo.
Perguntei: “Cadê a ponte?”
“Tá no plano, meu irmão!”
“Bote um barco nesse plano,
que eu preciso é de condução!”
[Refrão]
Promete, promete,
que o palanque aguenta!
Mas conversa na panela
não tempera nem sustenta!
O povo tem em quem confiar,
ele tem quem enganar.
Puxe o fole, sanfoneiro,
que hoje nós vamos cobrar!
[Ponte falada]
Ô, sanfoneiro, segure esse fole!
Deixe o homem responder:
pra pedir, sabia meu nome;
agora diz que não lembra de me conhecer!
[Verso 3]
Minha vó puxou um banco,
ajeitou os oculinhos:
“Venha cá, meu candidato,
vamos prosear um tiquinho.
Tá faltando lá no posto
o remédio da pressão.
Sua foto eu tenho aos montes:
posso usar na medicação?”
Ele abriu aquele riso,
quis mudar de direção.
Minha vó abriu a bolsa
e mostrou a anotação:
“Eu guardei seu compromisso,
tenho tudo aqui na mão.
Quero médico no posto
e remédio no balcão!”
[Verso 4]
Na eleição voltou sorrindo,
quis pegar na minha mão.
Eu puxei uma cadeira:
“Sente e preste atenção.
Trouxe a lista lá de casa
e a pergunta do vizinho.
O senhor falou bastante,
hoje escute um bocadinho.”
A sanfona abriu o fole,
o triângulo tilintou.
Cada qual puxou seu banco,
a conversa começou.
Entre um prazo e uma desculpa,
já cercado de eleitor,
pela primeira vez na praça,
foi o homem quem suou!
[Refrão final]
Promete, promete,
que o palanque aguenta!
Mas conversa na panela
não tempera nem sustenta!
Quer de novo a confiança?
Venha aqui mostrar serviço!
Meu voto também tem memória:
lembra bem seu compromisso!
[Final falado]
Pode deixar o santinho!
Sua promessa eu guardei.
Só falta entregar a ponte
que na propaganda eu atravessei!