[Intro]
[Verse]
O suor que escorria frio no meio da madrugada
O peso da saca moldando o desenho da espinha
O cais era um mestre de face severa e calada
Onde a sorte do homem na palma da mão se adivinha
Entre o guindaste e o grito do mar que não para
Eu era o compasso da carga que o mundo exigia
[Verse]
As unhas sujas de graxa e o sol no pescoço
A fibra do músculo em luta com o ferro do trilho
Fazer o sustento brotar do mais fundo do poço
Guardando o cansaço pra não assustar o meu filho
Cada navio que partia levava um pedaço
Do esforço contido no laço da minha agonia
[Chorus]
A mão que calou a ferida e venceu o destino
Hoje assina o papel com a mesma coragem da lida
O terno não apaga o caminho de um peregrino
Que trouxe na pele a memória da terra batida
A mesa de vidro reflete o semblante sereno
De quem sabe o preço de cada degrau da subida
[Bridge]
A disciplina foi o norte no meio da neblina
A seriedade o alicerce que o tempo não rói
Não nego a origem que a alma ainda ilumina
Pois dentro da seda habita a têmpera de um herói
Onde a caneta agora escreve a nova rotina
O calo antigo recorda o que a gente constrói
[Verse]
Olho o horizonte por trás da vidraça polida
Vejo o guindaste movendo o que o peito guardou
A segurança é a colheita da vida sofrida
Mas sou o operário que a própria vontade forjou
O conforto do agora não vence a jornada comprida
Nem apaga a raiz de quem nunca se abandonou
[Verse]
Honro o silêncio de quem madrugou na calçada
E a força bruta que o espírito soube domar
A trajetória gravada na estrada trilhada
É o mapa sagrado que me ensinou a chegar
Do convés ao escritório a meta foi alcançada
Sem nunca deixar o passado deixar de pulsar
[Pre-Chorus]
O sangue pulsava no ritmo da engrenagem
A mente traçava o plano de sair do chão
Levei na bagagem apenas a minha coragem
E a fé inabalável guiando o meu coração
[Chorus]
A mão que calou a ferida e venceu o destino
Hoje assina o papel com a mesma coragem da lida
O terno não apaga o caminho de um peregrino
Que trouxe na pele a memória da terra batida
A mesa de vidro reflete o semblante sereno
De quem sabe o preço de cada degrau da subida
[Outro]