Foi numa rua, em oitenta e três,
Que o destino fez você chegar.
Macacão jeans, sua Monareta,
E um sorriso pra me conquistar.
Depois do trabalho, junto ao poste,
Nossa turma inteira a conversar.
Entre risadas e jogos de vôlei,
A gente nem via a noite passar.
Você partiu pra casa da tia,
E eu fiquei tentando te esquecer.
Mas voltou, e naquele primeiro beijo,
Meu coração voltou a viver.
Mas veio o medo, veio o erro,
E o orgulho nos fez sofrer.
Faltou coragem de ir embora,
Sobrou vontade de não te perder.
O tempo não salvou nosso amor,
Mas não apagou nosso começo.
A menina da Monareta
Ainda vive aqui no meu peito.
Entre promessas e perdões,
Quantas vezes tentamos ficar.
Mas a gente, de tanto se ferir,
Esqueceu como era amar.
Nos casamos sonhando uma vida,
Mas tanta coisa se calou.
Eu também errei tantas vezes,
E a confiança se quebrou.
Numa agenda, naquele domingo,
Uma verdade me fez chorar.
Dois anos de uma vida escondida,
Que eu não conseguia aceitar.
Nos separamos, mas dois filhos
Me fizeram reconsiderar.
Meu pai deixou cinco crianças,
E eu tinha medo de igualar.
Voltamos buscando um caminho,
E Deus nos deu mais uma flor.
Nosso terceiro filho chegava,
Trazendo esperança e amor.
O tempo não salvou nosso amor,
Mas não apagou nosso começo.
A menina da Monareta
Ainda vive aqui no meu peito.
Entre promessas e perdões,
Quantas vezes tentamos ficar.
Mas a gente, de tanto se ferir,
Esqueceu como era amar.
Trinta e dois anos de aliança,
Três filhos, nosso maior bem.
Sei das feridas que eu te causei,
E das que ainda carrego também.
Nas fotografias, tantos sorrisos,
Por dentro, uma dor que não passou.
A vida me fez sentir de novo
A paixão que o tempo despertou.
O tempo não salvou nosso amor,
Mas não apagou nosso começo.
A menina da Monareta
Pra sempre terá meu respeito.
Entre promessas e perdões,
Nós fizemos tanto pra ficar.
Mas o amor não vive de aparência,
Nem de medo de recomeçar.
Se um dia chegar a despedida,
Que seja com respeito e paz.
O passado não pode ser mudado,
Mas a vida ainda pode dar mais.
E naquela rua de oitenta e três,
Meu coração ainda guardou
A menina da Monareta...
Onde tudo começou.