Nasce-se num sopro, num clarão que acende o mundo
Um choro abre portas, um corpo aprende o segundo
Mãos que se encontram, o primeiro passo é mar
Todo começo insiste: a gente pode navegar
Qual a lógica desse ir e desse ficar?
Será só repassar a tocha pra outro caminhar?
Ou existe um fio invisível, algo além do olhar?
São tantas perguntas — e ainda assim, dá pra amar
Crescemos com mapas feitos de medo e canção
Perdemos e ganhamos pedaços de direção
Pesamos o tempo em riso, em silêncio, em dor
Guardamos no peito as chaves do que fomos, por favor
Qual a lógica desse ir e desse ficar?
Será só repassar a tocha pra outro caminhar?
Ou existe um fio invisível, algo além do olhar?
São tantas perguntas — e ainda assim, dá pra amar
Talvez o sentido seja a busca, o caminho que a mão traça
Talvez sejamos ponte, memória e luz que não se cansa
O que deixamos é cuidado, história em voz e cor
Um eco que se move, que chama, que acolhe o amor
Se a vida é só passagem, que seja ponte a se estender
Que o que a gente deixa toque alguém que queira aprender
Não sei se há algo maior — ou se tudo recomeça no ar
Mas confesso: no meio do mistério, ainda vale cantar
E quando a pergunta vier, vem comigo participar
Somos só perguntas — e um jeito bonito de passar