historicamente, o ensino da matemática, foi visto como algo neutro, abstrato e distante da realidade social. hoje entendemos que a matemática também é resultado da cultura e da história das sociedades. por isso, ministrar matemática vai além de transmitir fórmulas e conceitos: é importante relacioná-la ao cotidiano dos alunos, ajudando-os a compreender melhor o mundo, desenvolver o pensamento crítico e contribuir para uma educação mais justa e inclusiva.
para romper com o paradigma da neutralidade, o programa etnomatemática, proposto por Ubiratan D'Ambrosio, oferece uma sustentação epistemologia fundamental ao mostrar a matemática como o conjunto de modos, estilos e técnicas de explicar, aprender e lidar com o ambiente natural e sociocultural. D'Ambrosio evidencia que o ensino formal não deve desvalorizar as raízes culturais e os saberes de tradição oral dos educandos, mas sim construir pontes dialógicas entre a sabedoria local e o conhecimento formalizado. para além disso, a educação matemática pode contribuir para instrumentalizar os sujeitos para a tomada de decisões conscientes eo exercício pleno da cidadania.
na prática, o ensino de matemática precisa ir além da memorização de fórmulas, utilizando métodos que envolvam a resolução de problemas, a modelagem e os conhecimentos presentes na realidade dos alunos. assim, o professor aproxima o conhecimento científico da experiência dos estudantes, promovendo a justiça cognitiva.
em suma, a transição de um ensino tradicional de matemática para uma práxis comprometida com a equidade requer do educador uma postura investigativa e reflexiva sobre sua própria afirmação. a educação matemática, quando fundamentada na interseção entre teoria e prática, reafirma-se como uma ferramenta de transformação social docente sob essa perspectiva é indispensável para construir uma educação pública democrática, inclusiva e socialmente relevante.