Tem dias que pesam mais que os outros
Nenhum nasce igual ao amanhecer
Mas alguns se esticam feito semanas
E eu já não sei mais que dia vai ser
Segunda passada ou quarta que vem
O tempo embaralha o calendário em mim
Tudo parece tão sombrio e tão só
Como um quarto que não tem mais fim
Há sequências de dias iguais demais
Onde nada parece se mover
As horas, as coisas, as pessoas
Passam como vento sem me perceber
E eu sentada na beira da cama
Olhando sem ver o mundo correr
Tão rápido, tão lento, tão longe
Devagarinho a vida a acontecer
É como viver num relógio parado
Num ponteiro que esqueceu de girar
Tem um elefante sobre minhas costas
Pesando até me fazer cair
Depois repousa inteiro no meu peito
E ninguém consegue isso sentir
Ninguém vê o peso que me dobra
Ninguém vê o esforço pra subir
Porque esse elefante invisível
Só eu sei o quanto é difícil resistir
Se ao menos pudessem enxergar
O que não se vê, mas me consome assim
Tem um elefante sobre minhas costas
E um mundo passando por mim
Mas mesmo caída no silêncio
Ainda respiro, ainda estou aqui