1ª ESTROFE
Nas águas marrons do meu velho rio,
A lua se deita pra noite clarear,
Surge um tucuxi, mistério encantado,
Deixa o seu reino somente pra te encontrar.
Lá vem a morena, cabocla ribeirinha,
Pé descalço na areia, cabelos ao luar,
Traz no corpo o perfume da mata,
E um jeito faceiro que faz o boto sonhar.
PRÉ-REFRÃO
Ele assobia no silêncio da noite,
Ela responde no balanço do olhar,
O rio arrepia, a canoa se inclina,
E a lua testemunha o encanto começar.
REFRÃO
Ô, tucuxi, boto encantado,
Sai das águas pra me enamorar,
Na lua cheia teu corpo me chama,
E o meu corpo responde querendo dançar.
Ô, morena, cabocla bonita,
Flor morena nascida à beira do rio,
Tu és o encanto que a noite procura,
E eu sou teu boto nas águas do Marajó.
2ª ESTROFE
Ele rodeia feito a correnteza,
Ela balança feito a rede no ar,
Um passo pra perto, dois passos pra longe,
Num jogo de magia difícil de escapar.
O curimbó chama, a mata responde,
O banzeiro acompanha o tambor,
Ela gira e o boto se encanta,
E a noite se veste de cheiro e de flor.
Nas águas profundas do reino encantado,
Dois mundos se encontram num só ritual,
Ela é terra, é rio, é desejo,
Ele é mistério das águas do imenso Marajó.
PONTE
Quando a lua fica bem no alto,
O boto vem seu segredo revelar:
“Morena, teu olhar me enfeitiça,
Teu sorriso me faz retornar.”
E quando a madrugada anuncia,
Que o encanto precisa terminar,
Ele mergulha nas águas barrentas,
Mas promete na próxima lua voltar.
REFRÃO FINAL
Ô, tucuxi, boto encantado,
Sai das águas pra me enamorar,
Na lua cheia teu corpo me chama,
E o meu corpo responde querendo dançar.
Ô, morena, cabocla bonita,
Flor morena nascida à beira do rio,
Quando a lua se derrama nas águas,
Teu encanto chama o boto-tucuxi.
Ô, tucuxi...
Ô, morena...
Nas águas marrons desse reino encantado,
Nosso amor virou lenda no coração do Marajó.