[Verso 1]
Não sei por que ainda escrevo,
Mas volto sempre ao papel.
Meu pensamento anda solto,
Rabiscando até o céu.
A folha branca me encara,
Eu encaro de volta também.
Ela querendo uma resposta,
Eu sem resposta pra ninguém.
[Pré-refrão]
Minha cabeça faz assembleia,
Ninguém consegue decidir.
Enquanto discutem a pauta,
Eu escrevo pra existir!
[Refrão]
Escrevo torto, logo existo!
Meu juízo foi passear.
Se a vida pede formulário,
Faço um verso pra rasgar!
Escrevo cheio de vazio,
Escrevo até me encontrar.
Quando eu falto dentro de mim,
É pela letra que vou voltar!
[Verso 2]
Tem dia que eu sou excesso,
Tem dia que eu sou metade.
O peito pede uma fresta,
O mundo cobra novidade.
Mandaram melhorar a letra,
Mandaram aprender a calar.
Corrigiram minha vírgula,
Mas não pararam pra escutar.
[Pré-refrão]
Minha tristeza bate ponto,
Minha alegria quer faltar.
No verso da conta vencida,
Ainda tenho o que falar!
[Refrão]
Escrevo torto, logo existo!
Meu juízo foi passear.
Se a vida pede formulário,
Faço um verso pra rasgar!
Escrevo cheio de vazio,
Escrevo até me encontrar.
Quando eu falto dentro de mim,
É pela letra que vou voltar!
[Ponte — falada, com ironia]
Nome completo?
Ainda escrevendo.
Profissão?
Tentar permanecer.
Motivo da ausência?
Fui me buscar.
Trouxe documento?
Só o que deu pra escrever!
[Quebra — crescente]
Mas escrevo!
Mesmo sem entender!
Mas escrevo!
Tem alguém aqui pra ler?
[Refrão final]
Escrevo torto, logo existo!
Meu juízo foi passear.
Se a vida pede formulário,
Faço um verso pra rasgar!
Escrevo cheio de vazio,
Até caber inteiro aqui.
Não escrevo pra entender a vida:
Escrevo pra não sumir!
[Final — voz exposta]
É o que fica
Quando eu não sei ficar.
[Último ataque da banda]
Pode anotar!