[Verse 1]
No pote, o fundo seco; no terreiro, o chão rachado
Mamãe divide a farinha, cada prato contado
O vento leva a poeira por dentro do meu vestido
E a promessa no palanque já nasceu sem ter cumprido
[Verse 2]
Levaram verba da escola, da cisterna e do posto
Deixaram papel carimbado e um sorriso sem rosto
Meu filho partiu pra longe, com a mala e um retrato
Toda carta vem mais curta; todo silêncio, mais alto
[Chorus]
Mas eu não abaixo a cabeça, eu não entrego meu chão
Sou filha dessa terra, sou raiz na amplidão
Se a seca fecha as estradas, minha fé não se desfaz
Quero água, pão e justiça — quero dias mais iguais
[Verse 3]
Guardo o nome dos que foram junto ao peito, em segredo
E enfrento a manhã de frente, mesmo carregando medo
Que devolvam cada moeda, cada sonho que venderam
Que escutem quem ficou quando as promessas se perderam
[Bridge]
Um dia a chuva desce limpa, corre livre pelo sertão
A cisterna enche devagar, floresce o milho no chão
E quem roubou do nosso povo vai responder diante da lei
Eu verei a mesa farta — por meus filhos, lutarei
[Final Chorus]
Eu não abaixo a cabeça, eu não entrego meu chão
Sou filha dessa terra, sou raiz na amplidão
Vem, chuva, lava a poeira; vem, justiça, chega mais
Há um tempo de pão e dignidade esperando atrás
[Outro]
Quando a chuva tocar a terra, ninguém vai partir sozinho
E o sertão verá nascer, entre nós, outro caminho