Verso 1]
Perdida nesse breu que é tua ausência
Busco o rastro do que a gente foi
Fecho os olhos e o passado açoita
Teu toque era o céu que me acolhe e dói
Vivo nesse movimento de pêndulo
Vou e volto, orbitando o teu caos
Amo com a fúria de quem se destrói
Entre os teus santos e os teus demônios maus.
[Pré-Refrão]
Prometi mil vezes nunca mais voltar
Mas minhas promessas são cinzas no altar
O que fizeste comigo? A vontade é pequena
Escrevi teu nome na pele, mudei minha cena
Fugir de ti seria fugir de mim.
[Refrão]
Tu és o meu porto seguro e inseguro
O abismo sem corda onde eu me joguei
A ferida aberta, o meu quarto escuro
O único veneno que eu aceitei
Somos dois ímãs que o mundo condena
Quanto mais distantes, mais perto do fim
Eu sou a rosa que aceita o espinho
Não existe beleza sem sangue em mim.
[Verso 2]
Andamos sozinhos, fingindo autonomia
Mas a gravidade do teu olhar me atrai
Cada passo em tua direção é um duelo
Onde a minha paz se rende e cai
Odeio o vácuo que deixou no espaço
Odeio a tua não-presença no meu cobertor
Um ódio sagrado, um corte profundo
De quem foi além da vida por esse amor.
[Pré-Refrão]
E aqui estou eu, rendida e no chão
Provando a força da tua atração
O que fizeste comigo? A vontade é pequena
Marquei meu corpo com tinta e com pena
Fugir de ti seria fugir de mim.
[Refrão]
Tu és o meu porto seguro e inseguro
O abismo sem corda onde eu me joguei
A ferida aberta, o meu quarto escuro
O único veneno que eu aceitei
Somos dois ímãs que o mundo condena
Quanto mais distantes, mais perto do fim
Eu sou a rosa que aceita o espinho
Não existe beleza sem sangue em mim.
[Ponte]
Eu sou uma extensão da tua sombra
O verbo que se fez carne em nós
Nessa dança de luz e agonia
Eu me calo pra ouvir tua voz...
Cura-me. Ou mata-me de vez.
[Refrão Final]
Tu és o meu porto seguro e inseguro (com mais intensidade)
O abismo sem corda onde eu me joguei
A ferida aberta, o meu quarto escuro
O único veneno que eu aceitei
Somos dois ímãs que o mundo condena
Quanto mais distantes, mais perto do fim
Eu sou a rosa que aceita o espinho
Não existe beleza sem sangue em mim.
[Outro / Finalização]
Nesse eclipse de nós...
Eu te espero no breu.
Você é o veneno.
E a cura... sou eu?
(Sons de respiração ou guitarra morrendo ao fundo)