O ponteiro marca meia-noite, o café já esfriou
Mais um posto de gasolina que o destino reservou
Atrás do para-brisa, o mundo passa num clarão
Sou eu, Deus e o asfalto, tocando o caminhão
Deixei o beijo no rosto, a promessa de voltar
Mas a estrada é madrasta e gosta de me testar
Rodovias que o tempo esqueceu de consertar
Buraco que vira abismo, pronto pra me derrubar.
É o peso na caçamba e a saudade no peito
Ninguém dá valor, dizem que não tenho direito
Entre o perigo da curva e a falta de segurança
Sigo guiando o futuro por um fio de esperança
Pé na estrada, olho no retrovisor
Um guerreiro invisível, movido pelo amor.
Tem gente que olha torto, acha que o frete é diversão
Não vê o suor no rosto nem o calo na minha mão
O país se move comigo, mas ninguém quer agradecer
Se eu paro, tudo para, mas quem vai reconhecer?
Insegurança na escuridão, o medo é um passageiro
Na mira da maldade, lutando pelo meu dinheiro
A saudade bate forte quando vejo a foto no painel
O abraço do meu filho é o meu pedaço de céu.
A carga é pesada, o prazo é cruel
A solidão é amarga, o asfalto é o papel
Onde escrevo minha história, quilômetro por quilômetro a rodar
Medindo a minha vida além do meu hodômetro a saudade a apertar.
É o peso na caçamba e a saudade no peito
Ninguém dá valor, dizem que não tenho direito
Entre o perigo da curva e a falta de segurança
Sigo guiando o futuro por um fio de esperança
Pé na estrada, olho no retrovisor
Um guerreiro invisível, movido pelo amor.
Mais um dia, mais uma subida...
Deus no comando, protegendo a minha vida.