[Intro]
[Verse]
O sol declina entre os prédios de concreto frio
Desenha sombras longas num asfalto vazio
Abro a gaveta de madeira que range um segredo
Toco o metal das chaves que perdi o medo
A poeira dança na fresta da janela antiga
Contando histórias de uma era que não me castiga
O cheiro de café coado no pano desbotado
Traz de volta o vulto de quem andava ao meu lado
[Chorus]
É um cais de barcos que nunca partiram do porto
Um abraço guardado num casaco de linho torto
O tempo não corre, ele apenas se deixa ficar
Como a maré baixa que esquece de retornar
Busco no peito o mapa de um reino submerso
Onde cada silêncio era o centro do meu universo
[Bridge]
As fotografias amarelas não sabem mentir
Guardam o instante exato antes de o riso fugir
Não é tristeza, é apenas o peso da moldura
Uma vontade súbita de habitar a própria ventura
O relógio de parede parou na hora da partida
Deixando o agora suspenso na beira da vida
[Verse]
Caminho por ruas que mudaram de nome e de cor
Mas reconheço o detalhe de cada pequena flor
Aquelas que nascem nas frestas da calçada dura
Como a lembrança insiste em sua própria costura
O rádio de pilha chia uma canção esquecida
Notas que vibram na pele, cicatriz não ferida
[Pre-Chorus]
Sentir que o ontem é um solo onde ainda se pisa
Enquanto a brisa da tarde a memória batiza
Onde a distância se encurta num simples pensar
E o que foi embora insiste em nos visitar
[Chorus]
É um cais de barcos que nunca partiram do porto
Um abraço guardado num casaco de linho torto
O tempo não corre, ele apenas se deixa ficar
Como a maré baixa que esquece de retornar
Busco no peito o mapa de um resto de dia
Onde a falta do outro era a minha melhor companhia
[Outro]