EU SEI O QUE EU DISSE
Eu sei o que eu disse,
não vou negar.
Mas sei também o que quis dizer
e não vou deixar distorcer.
Eu disse:
“E se no lugar dela
fosse o meu filho então?”
Foi uma comparação,
não foi desejo de morte, não.
Quem partiu já não tem tempo
de viver, mudar ou recomeçar.
Mas você estava vivo,
tinha uma vida inteira pra trilhar.
Eu queria ver você crescer,
ter profissão, ter seu caminho,
ter orgulho da sua história
e construir seu próprio destino.
Eu fiz o que estava ao meu alcance,
ajudei como pude, por amor.
E hoje ouvir que eu queria sua morte
é uma dor que não sei explicar.
Eu posso estar decepcionada,
posso estar ferida e com raiva.
Posso não aceitar suas escolhas
e ainda assim nunca desejar sua morte.
Você já é adulto.
A vida é sua, as escolhas também.
Eu não posso viver por você
nem carregar o que é seu.
Por enquanto eu escolho distância.
Não por ódio, nem vingança.
É porque estou machucada
e também preciso de paz.
Eu sei o que eu disse,
e sei o que não falei.
Sei o amor que eu dei,
as vezes que eu tentei.
Eu nunca quis sua morte.
Eu quis sua vida inteira.
Quis que você tivesse um caminho,
um futuro e uma história verdadeira.
Talvez um dia a dor passe,
talvez algumas coisas mudem.
Mas hoje eu preciso ficar longe,
respirar e cuidar de mim.
O que eu podia fazer, eu fiz.
Agora a vida é sua.
Eu sigo o meu caminho,
e você segue o seu.