Maria Luiza, cigana do Egito,
me deu dois anos pra aprender francês.
Não sei se foi destino ou desafio,
mas aprendi tudo em dois meses, talvez.
E tinha Jean Claude, aquele senhor,
que me dava força pra continuar.
Quando faltava chão sob meus pés,
ele me ensinava a não recuar.
Aprendi a dizer je t'aime,
a conjugar o verbo amar.
Mas ninguém me disse naquele tempo
que o amor não precisa se traduzir
quando encontra onde morar.
Fui tão longe pra dizer eu te amo,
atravessei o mundo inteiro.
Aprendi a língua de outro encanto,
mas meu coração era brasileiro.
Voltei pra casa sem dinheiro,
com tanta história pra contar.
E encontrei o amor verdadeiro
que só precisava me escutar.
Maria Luiza, eu te agradeço,
Jean Claude, não esqueci de você.
Tudo aquilo que parecia um preço
era a vida me ensinando a viver.
Trouxe lembranças na bagagem,
alguns sonhos que deixei por lá.
Descobri que a maior viagem
é encontrar alguém pra se entregar.
Fui tão longe pra dizer eu te amo,
atravessei o mundo inteiro.
Aprendi a língua de outro encanto,
mas meu coração era brasileiro.
Voltei pra casa sem dinheiro,
sem fortuna pra oferecer.
Mas encontrei o amor verdadeiro
que falava como eu sabia ser.
Hoje eu sei dizer je t'aime,
mas prefiro mesmo é te amar.
Pois o amor que eu tanto procurava
não estava em outro lugar.
Fui tão longe pra dizer eu te amo,
e o destino, tão certeiro,
me deixou sem um tostão no bolso,
mas me deu um amor inteiro.
Não precisava falar francês,
nem conhecer o mundo primeiro.
Bastava ouvir aquele eu te amo...
Meu verdadeiro amor
falava brasileiro.