De tudo eu tenho um pouco,
de pouco eu tenho tudo.
Se falta alguma coisa,
eu faço cara de profundo.
Tenho carvão, tenho gelo,
tenho pão, limão e sal.
Só não tenho uma resposta
pra pergunta principal.
O nada é nada mesmo
ou é alguma coisa a menos?
Se eu começo a pensar no nada,
já não é nada que temos.
O nada é tudo!
O tudo é pouco!
O pouco é muito
se o churrasco pega fogo.
O nada é tudo!
Não vou discutir.
Se ainda tem cerveja,
alguma coisa existe aqui.
Fui procurar o nada
lá no fundo da razão.
Encontrei três linguiças,
duas farofas e um pão.
Fui atrás da inexistência
com rigor intelectual.
Mas senti cheiro de carne
e larguei o transcendental.
Se o vazio fosse nada,
a barriga explicaria.
Mas depois de dois espetos
muda toda a filosofia.
O nada é tudo!
O tudo é pouco!
O pouco é muito
se o churrasco pega fogo.
O nada é tudo!
Pode conferir:
se eu penso sobre o nada,
alguma coisa existe aí.
Perguntaram:
“Mas afinal...
o que é o nada?”
Pensei.
Pensei mais um pouco.
Quando a resposta estava chegando...
“A carne tá passando!”
Acabou a metafísica.
Quanto mais procuro o nada,
mais encontro confusão:
uma cadeira sem dono,
um filósofo e um carvão.
Se procuro a inexistência,
dou de cara com meu ser.
Então deixo o nada quieto,
que hoje eu vim pra comer.
O nada é tudo!
O tudo é pouco!
O pouco é muito
e eu já fiquei meio louco.
O nada é tudo!
E eu posso provar:
se amanhã não sobrar nada,
foi porque soubemos aproveitar!
De tudo eu tenho um pouco.
De pouco eu tenho tudo.
E do churrasco?
Nada.
Absolutamente nada.
Aí sim...
entendi a filosofia.