Procurei no altar, na luz de uma vela
Nas palavras antigas, na noite à janela
De joelhos no chão, coração na mão
Esperando um sinal, alguma direção
Segui outros caminhos, sem deixar de acreditar
Com respeito ao invisível, aprendi a escutar
Entre tantas promessas, tentei compreender
Por que certas perguntas não querem morrer
E quando tudo desabava
Eu voltava a procurar
Um defeito, uma falha
Um motivo pra me culpar
EU FIZ O QUE PUDE!
EU DEI O QUE TINHA!
OLHEI TANTO PRO ALTO
QUE PERDI O CHÃO DE VISTA!
EU CAÍ! LEVANTEI!
EU PEDI! ESPEREI!
ENTRE TANTAS CERTEZAS
FOI DE MIM QUE EU DUVIDEI!
Me venderam tantas certezas
Com a promessa de explicar
Mas nenhuma tinha resposta
Quando a vida saiu do lugar
Cada porta que fechava
Era uma dívida a pagar
Como se o mundo tivesse contas
Que só eu devia acertar
Fui juntando tantas culpas
Sem sequer me perguntar
Se o peso dessas pedras
Era meu pra carregar
E no meio das respostas
Que tentavam me ensinar
Uma pergunta atrevida
Resolveu se levantar
EU FIZ O QUE PUDE!
EU DEI O QUE TINHA!
OLHEI TANTO PRO ALTO
QUE PERDI O CHÃO DE VISTA!
EU CAÍ! LEVANTEI!
EU PEDI! ESPEREI!
ENTRE TANTAS CERTEZAS
FOI DE MIM QUE EU DUVIDEI!
Já confundi chuva com aviso
Já fiz do vento um tribunal
Mas nem toda porta fechada
Tem um culpado no final
Ainda guardo aquela chama
Que o tempo não apagou
Mas já não visto toda culpa
Que o mundo me entregou
E SE NÃO ERA COMIGO?
E SE NÃO ERA ASSIM?
E SE O PESO DESSE MUNDO
NÃO COMEÇASSE EM MIM?
EU FIZ O QUE PUDE!
EU DEI O QUE TINHA!
AINDA OLHO LÁ PRO ALTO
MAS NÃO PERCO O CHÃO DE VISTA!
EU CAÍ! LEVANTEI!
EU PEDI! ESPEREI!
TEM UMA CHAMA AQUI DENTRO
QUE EU NUNCA APAGUEI!
A vela continua acesa
A janela continua aberta
O céu continua lá
E eu já não devo nada.