Eu nasci onde o vento apanha
No fundo do barraco sem reboco
Com fome eu dividia a campanha
Mas meu sonho era grande, aos poucos
Me chamaram de coitada
Disseram que eu não ia dar
Mas Deus tava na madrugada
Me ensinando a lutar
Apanhei da vida e de homem
Que jurou, mas não ficou
Sequei o pranto, limpei meu nome
E na rua eu me encontrei
Fiz da marmita escritório
Do ônibus, universidade
Cada não virou relatório
Pra provar minha verdade
Sou flor de asfalto
Que nasci na rachadura
Passei sede, passei farto
Mas não perdi a ternura
Hoje o brinco é de ouro
Mas o brilho vem de dentro
Eu sou dona do tesouro
Que arranquei do sofrimento
Quem duvidou tá vendo
Eu de salto e caminhão
Assinando e provendo
Com a força da minha mão
Sou flor de asfalto
Que nasci na rachadura
Passei sede, passei farto
Mas não perdi a ternura
Hoje o brinco é de ouro
Mas o brilho vem de dentro
Eu sou dona do tesouro
Que arranquei do sofrimento
Sou flor de asfalto
Venci o mundo no salto