Verso 1
Diz a lenda antiga, contada no entardecer
Que onde hoje é Fonte Boa, as águas vinham descer
De nascentes escondidas, de águas puras e frias
Que brotavam da terra, entre várzeas e folharias
Os antepassados vieram, navegando sem parar
Pelo grande rio-mãe, buscando lugar para ficar
Viram a água cristalina, viram a terra boa para plantar
E disseram: “Aqui fica a nossa casa, aqui vamos descansar!”
Assim nasceu o nome, que hoje todo mundo diz:
Fonte Boa — água que dá vida, fonte de paz e raiz!
Verso 2
Somos o povo Kokama, povo do rio e da roça
Cuidamos desta terra, que é nossa mãe, nossa força
Aprendemos com os velhos: tudo tem vida e voz
O rio, a floresta, o vento — tudo cuida de nós
Temos a festa do ajuri, onde todo mundo ajuda
Mão com mão na labuta, a alegria não se muda
Temos o pajuçara, o milho, a mandioca, o peixe
O que a natureza dá, partilhamos, ninguém deixa de ter queixe
Contamos histórias de bichos, de espíritos das águas
Da cobra-grande que guarda o rio, das almas que vivem nas mágoas
Mas que também protegem quem respeita, quem ama e cuida
A terra de Fonte Boa as
Ruas, casas, escolas, mas o canto ainda é o mesmo
O som do tambor e da maraca, o fogo do nosso abraço
Fonte Boa carrega no nome a sua própria história:
Água pura, terra fértil, memória que não tem fim nem memória!
Verso 3
Hoje cantamos alto, para o mundo ouvir e saber
Que aqui vive um povo que sabe viver e vencer
Guardamos a língua, os costumes, a fé e a tradição
Porque Fonte Boa é nossa, é sangue, é coração!
Não importa quanto tempo passe, nem quanta gente venha
A fonte continua a jorrar, a nossa esperança não se detém
Kokama e Fonte Boa — um só corpo, uma só voz
Terra que nasceu do rio, e que há de ser sempre de nós!
Refrão
Fonte Boa, Fonte Boa!
Terra abençoada, água que não se esgota
Berço dos Kokama, força e tradição
Nas margens do Solimões, nosso coração!